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Benfica 1-1 FC Porto: Um jogo de duas faces
O Estádio da Luz registou a maior enchente da temporada para receber o jogo do ano. Perto de 63 mil espectadores marcaram presença num jogo que poderia catapultar definitivamente o clube da Luz como líder, poderia quase dar o título ao FC Porto ou deixar tudo exactamente na mesma. E assim foi. Os azuis e brancos sairam do recinto dos encarnados exactamente como entraram. Líderes da Bwin Liga. 1-1 foi o resultado num jogo marcado por graves incidências nas bancadas que devem fazer o país reflectir sobre quem deve ou não ser privilegiado para entrar num recinto de futebol. O simples e comum adepto que vai apenas com o intuito de desfrutar de um bom momento e de um espectáculo ou aqueles que apenas e só têm como objectivo causar desacatos e provocar feridos. Ontem senti que o futebol recuou 30 anos em Portugal...por essa mesma falta de civismo e sentido de cidadania.

O jogo começou exactamente como não se esperava. O Benfica estranhamente encolhido e um FC Porto que quis mandar no jogo de forma a evitar a pressão que normalmente o clube da casa exerce sobre os seus adversários. Jesualdo colocou Jorginho de início ele que foi um jogador importante pela sua mobilidade. Factor que permitiu com que a defender fosse mais um elemento no meio-campo e a atacar se juntasse mais no apoio a Adriano.

O Benfica chegava à baliza adversária através de alguns remates de meia distância. Miccoli, Karagounis e Petit levaram muito perigo a Helton, mas ora a falta de pontaria dos jogadores encarnados, ora a classe do guarda-redes brasileiro resolviam o problema.

O FC Porto tinha o domínio territorial, mas não assustava. Excepção feita a um lance em que Lucho faz um passe rasgado e Adriano numa diagonal se isola perante Quim que faz uma "mancha" excepcional aos pés do avançado portista.

No entanto, a corajosa abordagem ao jogo feita por parte de Jesualdo Ferreira colheu os seus frutos. Ao minuto 41 Quaresma cobra um livre sobre a esquerda e Pepe, que foge à marcação de Anderson, aparece isolado ao segundo poste a facturar o 1.º golo da noite. Estava feito o 0-1. Um rude golpe nas aspirações das águias e um verdadeiro balde de água fria que gelou o "Inferno da Luz".

O intervalo foi um remédio santo para o Benfica. O desinspirado Katsouranis (que tanta falta fez à dinâmica de jogo da equipa) ficou nos balneários e subiu o regressado Rui Costa. E foi ele o "Maestro" quem revolucionou o jogo encarnado e que empregou classe na espectacular exibição do Benfica no segundo tempo. O jogo para o Benfica e para o FC Porto mudou como do dia para a noite.

A oratória de Fernando Santos ao intevalo abanou a equipa que jogou determinada, confiante e muito segura de si mesma, mostramdo ambição e vontade de vencer. Nesta segunda parte o FC Porto foi encostado às cordas e raramente subiu ao meio-campo contrário, exceptuando alguns contra-ataques já nos descontos, quando o jogo estava completamente partido a meio-campo, e antes ainda por intermédio de um remate de Lucho Gonzalez muito por cima da baliza de Quim.

Um arrebatador Léo que rasgava pela esquerda com a facilidade com que uma faca corta manteiga, um Rui Costa que pegou na monotonia do futebol encarnado e empregou-lhe ideias e soluções, um Karagounis que foi o homem do jogo. Defendendo, atacando, assistindo, ganhando faltas, protegendo a bola e tentando o remate de longe. Em termos defensivos o míudo David Luiz "limpava" todos os lances com classe não dando muitas chances ao FC Porto de ficar com a bola jogável. Pressão alta e qualidade de passe foram os tónicos para a excelente exibição do Benfica na segunda parte.

Os encarnados procuravam mas o golo não surgia. Primeiro por Rui Costa num remate cruzado. Depois Miccoli falha incrivelmente no centro da área aquele que poderia ter sido o empate. O apagado Nuno Gomes cedeu o seu lugar a Derlei e foi o "Ninja" que fuzilou dentro da área, mas o remate "morreu" no autocarro portista estacionado em frente à sua baliza. Nada nem ninguém parecia conseguir fazer a bola bater nas redes azuis e brancas, até que aos 83 minutos foi reposta alguma justiça no marcador. Livre no lado direito do ataque do Benfica. Simão Sabrosa cobra, David Luiz remata de cabeça ao poste e Lucho Gonzalez acaba por introduzir a bola na própria baliza (Desde o jogo com o Boavista em casa, o Benfica trava uma luta acesa com os postes. Quase que parece uma relação mística). A Luz reacendeu-se e o FC Porto parecia engolido pela supremacia encarnada. Logo depois, Miccoli cedeu o lugar a Mantorras e nova explosão de alegria. O que é certo é que o avançado angolano, após excelente trabalho de Karagounis, cabeceia a bola para grande defesa de Helton., já nos descontos. Em seguida Derlei com um remate acrobático testa novamente o guardião da fortaleza portista, naquela que foi a última oportunidade para o Benfica. Destaque também para o regresso do portista Anderson aos relvados 5 meses depois da grave lesão.Em seguida, um perigosíssimo contra ataque do FC Porto, conduzido por Marek Cech e finalizado por Renteria poderia ainda ter dado a vitória à equipa de Jesualdo Ferreira.

No fim, um empate que favorece o FC Porto que continua no 1.º lugar da tabela classificativa e que poderá relançar o Sporting (caso vença o Beira-Mar esta noite) na luta pelo título. O resultado pode considerar-se justo pelo facto do FC Porto ter dominado a primeira parte, embora sem criar muito perigo, e o Benfica ter dominado a segunda. Sendo que quando foram melhores os encarnados foram mais superiores ao seu rival, pelo que a vitória do Benfica também não seria de todo injusta. Assim vai a Bwin Liga ao rubro. Com sete jornadas para jogar, a emoção está garantida até ao fim.

MVP Planet Football 10 - Karagounis


Ficha de Jogo


Estádio da Luz, em Lisboa.


Assistência: 62.756 espectadores


Benfica: Quim, Nelson, David Luiz, Anderson, Léo, Petit, Katsouranis (Rui Costa, 46), Karagounis, Simão, Nuno Gomes (Derlei, 71) e Miccoli (Mantorras, 86)


Treinador: Fernando Santos


FC Porto: Helton, Bosingwa, Pepe, Bruno Alves, Fucile, Paulo Assunção, Raul Meireles (Marek Cech, 61), Lucho Gonzalez, Jorginho (Renteria, 75), Ricardo Quaresma (Anderson, 91) e Adriano


Treinador: Jesualdo Ferreira


Golos: 0-1, Pepe, 41 minutos; 1-1, Lucho Gonzalez, 83 (própria baliza)Árbitro: Pedro Proença (Lisboa)


Acção disciplinar: Cartão amarelo para Bruno Alves (04), Jorginho (37), Petit (54), Raul Meireles (59), Lucho Gonzalez (60), Karagounis (85), Ricardo Quaresma (87) e Marek Cech (94)

foto: sportugal.pt (O golo do Benfica. Lucho introduz a bola na própria baliza)


publicado por Bruno Leite
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