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Taça UEFA: Espanhol 3-2 Benfica- Da catástrofe total à renascença encarnada
Jogou-se esta noite de quinta-feira no Olímpico de Montjuíc uma das partidas dos quartos-de-final da Taça UEFA. Espanhol e Benfica mediram forças num jogo nem sempre bem jogado, mas marcado pela emoção. Os espanhóis estiveram mesmo a vencer por 3-0, mas os gritos da revolta encarnada vieram primeiro por Nuno Gomes e à posteriori pelo capitão Simão Sabrosa. 3-2, um resultado que acaba por boas perspectivas para o Benfica chegar às meias-finais da competição.

O treinador do Benfica, Fernando Santos, decidiu-se por uma equipa inesperada. Decerto pretendia baralhar o adversário, mas esse efeito sentiu-se mais na própria equipa do Benfica do que propriamente no Espanhol. Ernesto Valverde o técnico dos "periquitos" agradeceu. Rui Costa não começou de início (por ainda não ter capacidade para 90 minutos) e jogou o jovem João Coimbra no seu lugar. Mas a surpresa das surpresas foi troca de Miccoli por Derlei quando se esperava que fosse Nuno Gomes a ceder o seu lugar ao avançado brasileiro. Contas feitas...o sistema mudou de 4-4-2 em losango para um puro 4-3-3 ao qual a equipa nunca soube responder. Simão fixo à esquerda, Derlei na direita (não queiram inventar um extremo) e Nuno Gomes isolado e desapoiado na frente.

Um dos piores pesadelos de Fernando Santos, a exibição da 1.ª parte frente ao FC Porto, tornou a repetir-se para mal do clube da Luz. Equipa encolhida, a efectuar pressão demasiadamente baixa, sem ligação entre os três sectores e a precipitar-se nas suas acções defensivas e ofensivas. Resultado? Aos 15 minutos o perigoso avançado Tamudo não perdoou uma falha da defesa benfiquista e fez o primeiro golo da noite. David Luiz não está isento de culpas , o jovem central teve receio de tocar no atacante dentro da área e acabou por ser ultrapassado pelo espanhol. O mais incrível é que o golo nasce de um lançamento lateral a favor do...Benfica. Desconcentração total.

O Espanhol apercebendo-se das surpreendentes facilidades oferecidas pelo conjunto encarnado pressionou cada vez mais junto da área, mas sem perigo. Em termos defensivos, a equipa de De La Peña tinha a lição bem estudada. O argentino Zabaleta marcava impiedosamente Simão e o jogo benfiquista não fluia.

Apesar de estar por cima no jogo, o Espanhol sem nada ter feito para o justificar chegou ao 2-0 aos 33 minutos. Cruzamento da direita, Quim ficou a meio caminho e Riera sem oposição estoirou para a baliza. Um remate mal direccionado, mas que o infeliz Nelson acabou por cabecear para a própria baliza.

Pouco depois o árbitro Eric Braamhaar começou habilidosamente a prejudicar o Benfica. Zabaleta já anteriormente amarelado fez uma entrada às pernas de Simão. O jogador argentino deveria ter sido expulso e a acontecer teria sido importante por ser ainda bastante cedo.

Com o resultado desfavorável a preocupação aumentava junto das hostes encarnadas e Fernando Santos deu ordens para que Rui Costa entrasse. Assim foi, com o Maestro em campo a águia renasceu. O Benfica encontrou-se a meio-campo, os sectores ficaram mais ligados, o futebol das "águias" passou a ter ideias...

Nuno Gomes, Petit e novamente Nuno Gomes estiveram perto do golo ainda antes do intervalo. Notava-se já um ascendente que nunca os benfiquistas tinham tido durante o primeiro tempo. Nessa fase o árbitro holandês esteve novamente em foco pela negativa ao perdoar um primeiro penalty aos espanhóis. Após cabeceamento de Nuno Gomes, Jarque coloca as duas mãos na bola, Penalty claro que o sempre polémico Eric Braamhaar (o mesmo que permitiu que Giggs marcasse um golo de livre directo sem ter apitado e festejou um golo do Ajax frente ao PSV no jogo que estava a apitar) deixou passar em claro, mas este senhor não se ficaria por aqui.

O intervalo mais uma vez fez muito bem ao Benfica que no segundo tempo assumiu as despesas do jogo e entrou dominador. O jogo, tal como acontecera com o FC Porto, mudou como do dia para a noite, na segunda parte. A questão que deve colocar-se é porque razão sucede uma mutação exibicional tão acentuada numa equipa de alta competição?

O Benfica entrava para os segundos 45 minutos com a firme determinação de fazer um golo, de forma a decidir tudo na Luz, contudo, numa fase em que os lisboetas já assentavam o seu jogo, Pandiani fez o 3-0, com largas culpas para o brasileiro Anderson – a viver um período muito pobre em termos exibicionais. Dava para pressentir que era um acidente de percurso tendo em conta o futebol jogado pelas duas equipas naquele momento.

Entrada de Miccoli, a mudança para o losango e o golo

Com Miccoli em campo, por troca com Derlei, o Benfica regressava ao seu modelo – o 4x4x2. Sinal disso mesmo foi o 1-3. O italiano recebe um passe longo de David Luiz e com a baliza à mercê colocou os objectivos da equipa bem lá no alto ao passar a bola a Nuno Gomes, que fez um golo fácil. Mas ainda pouco antes o árbitro holandês tornou a deixar passar em claro uma grande penalidade desta feita um rasteira clara a Simão Sabrosa. E sabem quem fez a falta? Ele mesmo Jarque que assim sendo, deveria ter sido expulso com segundo amarelo por já ter provocado a 1.º grande penalidade não assinalada por este polémico árbitro. O Benfica tem mesmo muitas razões de queixa deste juíz.

O mais complicado estava conseguido. O Espanhol abanava, Rui Costa organizava jogo, Simão vagabundeava, sem posição certa, Nuno Gomes e Miccoli faziam a cabeça em água aos centrais espanhóis. Dois minutos volvidos, o Benfica faz o 2-3. Rui Costa solicita Simão que zizagueia com o esférico colado aos pés antes de tirar, com muita classe, dois catalães antes do caminho para depois desferir um remate cruzado sem qualquer possibilidade. Isto aos 65 minutos...

O jogo tinha mudado de forma impressionante, para surpresa de muitos. Até final foi sempre o Benfica a estar mais perto do 3-3 do que o Espanhol do 4-2. Ainda assim, Rui Costa, Karagounis, Miccoli, Luis Garcia, Ito e Pandiani tiveram nos pés o sexto golo do encontro.

Fernando Santos tem muita qualidade em mãos. Isso está mais que provado. Não se entende o porque das invenções no onze inicial, sobretudo mudando um sistema já tão traquejado por parte da equipa. Mas, não se percebe, sobretudo, a demasiada oscilação exibicional, verificada nas duas partes que um jogo de futebol contém. Estas são razões que devem fazer o treinador encarnado reflectir porque o Benfica é capaz do melhor e do pior. E olhando a este paralelismo é fácil perceber que estando a lutar pela conquista de duas competições pode ganhá-las como perdê-las. E só terá hipótese de ganhá-las se a equipa praticar o futebol seguro, de qualidade e com a classe e confiança a que já nos habituou em alguns períodos. Se for o Benfica da primeira parte do jogo com o FC Porto e da partida de hoje eu apostaria aqui que não ganhará nenhuma das competições em que está inserido. Tudo porque em alta competição os erros pagam-se caro. E os 3-0 pelos quais o Benfica passou são prova real disso mesmo.

MVP Planet Football 10 - Rui Costa

Ficha de Jogo


Estádio Olímpico de Montjuic, em Barcelona


Assistência: 25 100 espectadores


Espanhol: Gorka, Zabaleta (Lacruz, 69), Torrejón, Jarque, Chica, Moisés, Ivan de la Peña, Rufete (Ito, 80), Luís Garcia, Riera e Tamudo (Pandiani, 53)


Treinador: Ernesto Valverde


Benfica: Quim; Nélson, David Luiz, Anderson e Léo; Petit, Karagounis e João Coimbra (Rui Costa, 36); Derlei (Miccoli, 57), Nuno Gomes e Simão


Treinador: Fernando Santos


Golos: 1-0, Tamudo (15); 2-0, Nélson (33 pb); 3-0, Pandiani (58); 3-1, Nuno Gomes (63); 3-2, Simão (65)


Árbitro: Eric Braamhaar (Holanda)


Acção disciplinar: Cartão amarelo para Anderson (4), Zabaleta (26), Simão (37) e Riera (64)


foto: uefa.com (David Luiz festeja com o guarda-redes Quim o 2.º golo do Benfica)


publicado por Bruno Leite
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