
Os inquéritos valem o que valem, é verdade, mas o universo benfiquista pela primeira vez em diversos anos, começa a apontar o dedo a Luís Filipe Vieira. Ele que entrou no clube da Luz pela mão de Manuel Vilarinho, ex-presidente do clube e actual presidente da mesa da Assembleia Geral dos encarnados. Vieira começou por ser director do futebol e destacou-se com as sonantes contratações de Simão Sabrosa e Zlatko Zahovic. Duas aquisições que pareciam não ser compatíveis à realidade medíocre do plantel da época. Endeusado pelo resgate de dois nomes sonantes do futebol europeu, e pelo "milagre" da construção do novo Estádio da Luz, ele que foi fulcral devido à alta credibilidade e relação que tem com instituições bancárias, Vieira foi fortalecendo a sua posição internamente. De tal forma que Vilarinho foi seu apoiante nas eleições que precederam.
Ganha a votação, em lista única, estava então aberto o caminho para que Luís Filipe pudesse implementar o seu projecto, aliás de objectivos bem elevados. Tornar em 3 anos o Benfica no maior clube do mundo. Vieira começou por ser campeão com Trapattoni no comando técnico da equipa e enquanto o clube ganhava "espaço" para respirar, após acabar com o jejum de 11 anos, o presidente tinha tranquilidade para poder efectuar a tão importante recuperação económico-financeira. Para o efeito foi contratado Domingos Soares Oliveira, um sportinguista assumido, mas figura de prestígio na área financeira.
O Benfica construiu então alicerces para um futuro risonho. Hoje pode gastar "20 milhões num jogador de futebol, assim o investimento seja considerado seguro e essencial para a SAD" como reconheceu Soares Oliveira a uma entrevista ao Mais Futebol. Foi distinguido como um dos 20 clubes que mais receitas facturou na época 2005/06 a nível mundial, entre muitos outros avanços que foram alcançados por esta adminsitração da Benfica SAD. O que falta então a este Benfica? Títulos...a pressão está a voltar porque depois do "Óasis" no deserto que foi a conquista da Liga 2004/05, os adeptos pousaram novamente os pés na terra. É que o Benfica é o maior clube do mundo, reconhecido pelo Livro do Guiness, em termos de sócios pagantes, o que é um feito notável, mas para ser o melhor do mundo a jogar futebol não pode ir pela estratégia errática adoptada nos últimos meses pelo seu presidente, que apesar de não ter ganho muitos títulos, que até vinha fazendo um excelente trabalho no clube.
Para mim Vieira cometeu três pecados capitais na sua gestão. Sendo que um deles poderia ser "perdoável": A saída de Simão, que se deu por uma verba inferior, em 5 milhões de euros, algo contrário ao que o presidente sempre propalou. Mas porquê perdoável? Porque Simão sempre deu tudo ao clube e nesta fase já demonstrava alguma vontade de sair e há pressões que se tornam difíceis de suportar. Não deixa de ser, no entanto, caricato que o capitão benfiquista e melhor jogador da última liga saia do clube da Luz por 20 milhões, ele que já tem nome no futebol mundial, e Nani, um jogador de talento, mas ainda não totalmente feito, e até muito criticado em Alvalade, saia do Sporting por 25 milhões. Parece mal negociado não?
Os outros dois pecados de Vieira são, a meu ver, uma espécie de dois em um ou de um em dois, depende da perspectiva que sendo ela qual for vai confluir exactamente no mesmo problema: Fernando Santos. O presidente do Benfica contratou Santos. este é para mim o primeiro erro, e não o despediu na altura devida, o final da temporada passada. Agora com jogadores chegados ao clube há pouco mais de um mês e uma pré-época deitada pelo "cano" abaixo é Camacho quem dá o "corpo às balas"e tenta salvar uma época que parece, apesar de ainda estar no começo, irremediavelmente perdida.
foto: isabel cutileiro
Etiquetas: BENFICA, CAMACHO, LUÍS FILIPE VIEIRA
publicado por Bruno Leite