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Confusão no reino da águia...
Confusão é a palavra de ordem na vida do Benfica versão 2007/08. Época iniciada, treinador despedido à primeira jornada. Entrou treinador novo, o regressado Camacho, novo modelo de jogo e para isso foram necessários novos jogadores, mais dinheiro gasto.

Simão vendido por um valor inferior (em 5 milhões) à cláusula de rescisão, tendo o Benfica opção (e não garantias de que os jogadores venham) sobre três jogadores do Atlético Madrid. Com total certeza não serão "Kun" Aguero ou José António Reyes dois dos contemplados a trocar de emblema. E já agora, será que esses jogadores algum dia virão? Parece que o Benfica tem um prazo de 3 anos para exercer a opção. Ora, assim é que se fecham negócios bem feitos! Alguém já fez contas? No final desse período de opção, Luís Filipe Vieira já terá findado o seu mandato no Benfica, podendo não ser responsabilizado pelo terrível acto de gestão que, até ver, cometeu. Mas, para não ser injusto, vamos esperar pelos jogadores...e depois poderei fechar esta conclusão relativa ao negócio Simão.

O "Piccolo Bomber" Fabrizio Miccoli afinal só custava 3,5 milhões, mas Vieira não fez tudo para que o internacional italiano permanecesse no ninho da águia, porque o ordenado era elevado. No entanto, Nuno Gomes, avançado que teima em regredir a sua capacidade goleadora de ano para ano, pago a peso de ouro, e sem justificar, continua no plantel(com o mesmo ordenado o que é preocupante), jogando a seu bel prazer sem que lhe seja exigido mais.

Relativamente às contratações, Cardozo começa aos poucos, e apenas porque lhe foram dadas continuadas oportunidades, a justificar o rótulo de grande goleador, mas ainda se encontra em processo de adaptação. Sempre o afirmei aqui e continuo a dizer que Cardozo tem nível mundial e vai acabar por demonstrá-lo na Europa. Seja no Benfica ou noutro clube qualquer.

Gonzalo Bergessio, estrela do Racing, chegou ao Benfica e parece ter desaprendido o que é um jogo de futebol. Será problema do argentino, ou será mal do Benfica que parece ter tendência para acabar com carreiras? A diferença entre Bergessio e Cardozo foi precisamente a aposta continuada. No caso do paraguaio isso aconteceu, no caso do argentino não. E isso até é fácil de explicar. Recordo-vos, estimados leitores, que Cardozo custou 9,3 milhões (80% do passe), enquanto Bergessio custou 1,5 milhões (50% do passe). Simplificando para a gíria futebolística, Cardozo tinha de justificar o dinheiro investido e Bergessio não tanto, porque afinal de contas "só" custou 1,5 milhões.

Ninguém me pode dizer com total certeza que Bergessio é mau. As indicações que provêm das minhas fontes na Argentina garantem-me o contrário. Cardozo também era um fracasso, à vista de muitos milhões, e em duas semanas foi promovido a "fenómeno" goleador. A diferença, repito, foi a insistência. Bergessio sairá em Dezembro e interessados não faltam. Quiçá, o Benfica arrepender-se-á ... mais uma vez.

Andrés Diáz, um perfeito desconhecido do futebol português, chegou ao clube da Luz numa espécie de pague 1 leve 2, aquando do negócio de Di Maria. Nem vou discutir se o jogador tem ou não qualidade porque não tenho qualquer indicação credível que possa sustentar uma tomada de posição relativamente ao extremo. No entanto, posso realçar a forma amadora como o Benfica geriu o processo. É que Fernando Santos reconheceu, igénua e tristemente, que não conhecia o jogador quando este chegou ao Benfica. Ò sr. Engenheiro, no mínimo dos mínimos um DVD, não? E mesmo este já é um método extremamente falicioso, visto compilar só os pontos fortes, ocultando os fracos.

Conclusão, Diáz, praticamente não jogou, e regressará à Argentina sem que cheguemos a perceber algum dia se poderia ou não acrescentar algo de qualitativo ao plantel. Ao que parece, terá sido mesmo um erro de casting. Ups! Esqueci-me que afinal não houve casting. Peço desculpa pela distracção.

Yu Dabao, Miguel Vítor e Romeu Ribeiro foram não mais do que "poeira atirada para os olhos" dos benfiquistas. A quilómetros de distância do rival Sporting na formação de jogadores, o Benfica tentou "mostrar serviço" mantendo 3 jovens jogadores que, viu-se logo no início, não teriam qualquer margem de manobra neste plantel. Vão ser todos emprestados e tenho dúvidas que algum deles vá regressar tão cedo. Não porque não tenham valor, mas simplesmente porque o Benfica não aposta na juventude da casa, só na proveniente do exterior. Parece que tem mais "pinta", digamos. Exemplos disso são as excelentes apostas em David Luíz, Angel Di Maria, Rodrigues, Binya, Freddy Adu (Já justifica um papel mais amplo nesta equipa, não?).

Mesmo Fábio Coentrão, apregoado como um novo fenómeno, pouco jogou neste Benfica. Nem o salvou o facto de ter sido, a par de Manuel Fernandes, o melhor jogador do Benfica na pré-temporada; o que poderia ter sido encarado como um bom indício para que se apostasse no "míudo", mas não. Num clube que gastou 25 milhões de euros em jogadores e que pode dar-se ao luxo de comprar um jogador por 20 milhões (pelo menos diz o administrador para a área financeira), não há espaço para os "produtos" da formação.

Não vou falar individualmente de mais nenhuma contratação do Benfica porque o artigo tornar-se-ia extensíssimo, mas como calcularão teria muito mais a dizer sobre os problemas de casting, e não só, da direcção do Benfica. No entanto, nem só de contratações falhadas se move esta confusão no reino da águia...Passemos à questão "Leó".

Como é público e sabido, Léo, defesa-esquerdo, internacional brasileiro, contratado ao Santos em 2005, é o melhor da liga na sua posição e um dos ídolos dos adeptos benfiquistas. Mas o "maradoninha" como foi apelidado por Robinho está em final de contrato. Apesar dos seus 32 anos, mostra-se em grande forma e corre mais do que muitos jogadores jovens, mas o "trauma" relativo ao jogador "velho" parece tolher a mente dos responsáveis benfiquistas no que toca à racionalidade. Basta analisarmos o melhor jogador do Benfica; Rui Costa.

A caminho dos 36 anos, Rui Costa continua a espalhar classe pelos relvados nacionais e internacionais com a camisola do Benfica e no entanto o clube tudo fará para que ele continue a jogar na próxima temporada. Se o Benfica perder Léo, que já afirmou a sua vontade em continuar de águia ao peito, a massa associativa vai começar a "desconfiar" das opções do presidente. Depois de Simão e Miccoli, se Vieira perder Léo começa a não de gozar muita popularidade junto dos adeptos e numa altura em que nem os resultados ajudam...a situação poderá ser preocupante para o líder encarnado.

Gilberto é o nome do provável substituto de Léo, caso este saía. Titular da selecção brasileira, este defesa de 31 anos (menos um que Léo-afinal um ano fará tanta diferença?)está de saída do Hertha de Berlim a custo zero. O que não se percebe é a política, sobretudo quando se tem um jogador de créditos firmados no clube ao invés do que aí parece vir...

César Delgado será, a confirmar-se, uma tremenda contratação para o Benfica. Internacional argentino, este avançado móvel poderá ser o complemento perfeito para Cardozo, isto se Camacho tiver coragem para manter Nuno Gomes de fora.

Omar Bravo e Chevantón são dois outros nomes apontados para reforçar o Benfica em Janeiro, não obstante a efectivação da contratação de Delgado. Do primeiro, conheço pouco, apesar de saber que tem 28 anos que foi o melhor marcador da liga mexicana na época transacta. Apenas digo que Kikin era um grande jogador que foi "queimado" ao não ter hipóteses de jogar muito no Benfica, será que pretendem uma novela Kikin II?

Quanto a Chevantón não escondo a minha admiração enorme por este fabuloso jogador uruguaio. Aliás, seria muito interessante ver muita da força de ataque da selecção uruguaia no clube da Luz. Cristian Rodriguez, Maxi Pereira e Chevantón. A ver vamos, no entanto, apregoando a reconhecida saúde financeira dos cofres do Benfica, eu diria que deviam apostar num jogador de grande futuro chamado Rodrigo Palácio, fenomenal atacante do Boca que será brevemente um dos melhores do mundo.

Se há 20 milhões para um jogador, bem negociado, Palácio poderá ir para os encarnados por 16/18 e com certeza dará retorno futuro. Isso sim seria um excelente negócio, mas conhecendo esta confusão habitual no reino da águia, vendo bem, até Rodrigo Palácio poderia falhar no Benfica.

Um clube que não dá tempo nem espaço aos jogadores para explanarem a sua arte e para se adaptarem ao clube, fruto da intranquilidade gerada por outras questões...e muitas das vezes pela elevada fasquia "teórica" dos seus dirigentes que ainda não aprenderam que o segredo é a alma do negócio.

E já agora, embora eu sempre tenha sido um crítico de Fernando Santos...parece que o mal do Benfica estava longe de ser o Engenheiro. Os benfiquistas terão, certamente, saudades de José Veiga...

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publicado por Bruno Leite
Comentários a "Confusão no reino da águia..."
Anonymous Anónimo
Fico contente por finalmente ler um artigo que aponta praticamente todos os erros da gestão de LFV desde o início da época. Aqui há coragem para escrever-se coisas que os jornais desportivos deixam passar em claro. E já agora, permitam-me o elogio redobrado; coragem e qualidade. Quanto baste! Muitos parabéns pelo bom trabalho e o meu Benfica assim vai no caminho errado...
17 de dezembro de 2007 às 16:35  
Anonymous Anónimo
triste o que acontece com o Benfica....nas boas epocas foi chamado de clube "grande"
17 de dezembro de 2007 às 19:56  
Anonymous Anónimo
Depois de entregue a taça da Liga, a Champions e a Liga...Quando vai aparecer o gestor do futebol ? Onde está o Presidente que tinha dado o plantel que todos os treinadores queriam ter? Quando virá Vieira pedir desculpa aos sócios e adeptos plos sucessivos erros de gestão desportiva que tem cometido?
È hora de o sr Vieira parar de brincar aos directores desportivos e contratar alguem conhecedor do meio como o Veiga.
Antonio Augusto
18 de dezembro de 2007 às 20:52  
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