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Bola na rede! Por Tiago Pinto

Ronaldo por todo o lado!


Passei os últimos dias em Barcelona. (Já agora aproveito para aconselhar a cidade a quem goste de viajar e não posso deixar de segredar aos amantes do futebol - que não conhecem - que o estádio e museu do Barcelona é um máximo...Espectáculo!) Também passei algum tempo afastado da escrita neste espaço porque me iam faltando as ideias e não queria chover no molhado ao escrever sobre o que todos escrevem e dizer o que todos dizem.
Não devo ter deixado grandes saudades mas se alguém sentiu a minha falta, desculpem lá...

Sabem como resolvi este meu problema de criatividade? Falando do que todos falam!

"Agora é que ele está completamente tolo", dizem vocês...Mas esperem e dêem só mais uns parágrafos e perceberão.

Retomando o início, estive em Barcelona e é impressionante o impacto mediático que Cristiano Ronaldo tem naquela cidade e, julgo eu, em todo o mundo. Camisolas do rapaz por todo lado, sejam da selecção das quinas ou do United; ingleses a virarem Portugueses de gema puxando por Portugal como se fosse a sua selecção; imagens do homem por todo o lado e sempre que apanhámos uma conversa na rua parece que o nome Ronaldo ecoa a cada esquina. Homens, mulheres, novos, velhos, bonitos, feios, engravatados, de rastas, tudo, todos falam do nosso puto maravilha.

Cartazes gigantes mostram o rapaz como cara de Portugal, carros passam com a imagem dele convidando os espanhóis a virem à terra dele, os jornais nos escaparates têm todos uma qualquer referência ao menino e as pessoas não falam de outra coisa. É uma experiência engraçada chegar a uma banca de jornais internacionais e folhear...dos tablóides ingleses, aos espanhóis pagos pelo Real Madrid, aos alemães e holandeses, aos franceses e da conchichina toda a gente fala do CR7.

Sei que para nós até já chateia um bocado mas não posso deixar de dizer que sinto um certo (bastante) orgulho em ver o nosso menino a ser reconhecido por todos como o maior. Em Barcelona não é diferente e mesmo tendo a admiração que eles têm por Messi (comprei uma camisola dele) ninguém questiona o talento do mágico Português e, acima de tudo, a justiça do titulo de melhor do mundo. (só mesmo em Portugal ainda há quem questione)

Nas Ramblas (local onde pessoas de todas as raças, cores, gostos, feitios e artes convivem) Portugal não é muito mais do que a equipa de Ronaldo, mas isso - pelo que senti - não é nada pejorativo, é antes assustador para os adversários.

Barcelona respira futebol quase como respira arte e dentro desse futebol o espaço parece dividido apenas entre Barcelona FC e o Euro em que está Ronaldo (agora estou a exagerar um pouco). Espero que ele nos ajude a concretizar aquilo que todos queremos...


P.S: Camp Nou, meus amigos, é de doer os olhos, mas o remodelado será um factor de cegueira para quem ama estas coisas...

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BOLA NA REDE! POR Tiago Pinto


Liga Vilatis!


As minhas viagens para o Porto, ao domingo à tarde, são sempre na companhia da Antena 1 e do relato dos jogos da primeira e segunda Liga. Enquanto a 1ª Liga está resolvida desde o início de 2008, a segunda Liga Portuguesa continua a alimentar esperanças aos diversos adeptos nela envolvidos. O principal exemplo da competitividade extrema desta liga é o seguinte: o 1º classificado e o último encontram-se separados por 22 pontos! Na primeira liga o 2º está a 19 pontos, o 3º a 23 e o 4º a 24 pontos do primeiro lugar!


A 3 jornadas do final Trofense e Rio Ave (ainda por cima com o empate de ontem) parecem estar confortáveis nos lugares de acesso ao palco maior do futebol Português, todavia o Rio Ave já conhece bem o amargo de boca que significa andar o ano todo lá em cima e depois ficar no primeiro dos últimos, veremos se aprenderam com os erros. O Olhanense - que à chegada de Diamantino estava na última metade da tabela - hipotecou as poucas hipóteses que tinha ao perder em casa com o Portimonense de Vitor Pontes (que estava afundado quando chegou). Por fim, acredito que o Gil Vicente ainda pode criar uma surpresasita. Mesmo com um calendário muito dificil (recebe o Penafiel e o Beira-Mar e vai a Olhão) acredito na equipa de Paulo Alves, principalmente porque tem demonstrado isso mesmo: ser uma equipa. Independemente de todas estas cogitações a verdade é que 1º e 5º estão separados por 6 pontos a 3 jornadas do final...

Na luta pela manutenção Penafiel e Fátima continuam a tentar meter a cabeça fora de água. Esta jornada alteraram papéis e o Fátima (ao perder em Penafiel) segurou a lanterna vermelha. Contudo Gondomar, Portimonense e mesmo o Feirense ainda não estão completamente seguros. Na verdade, olhando o calendário Penafel e Fátima terão poucas hipóteses de se agarrarem à Liga Vitalis, mas nesta Liga de loucos é ver para acreditar.


O meu maior lamento vai para a pouca afluência de público aos estádios. Apenas 272 mil espectadores assistiram a jogos desta Liga esta temporada, o que significa qualquer coisa como 1260 adeptos por cada jogo e 10 mil por cada jornada. Manifestamente pouco para um Liga tão competitiva e tão regular em surpresas.


Do lamento passo à estupefacção...Honestamente não consigo entender como é que o Trofense consegue ter a equipa que tem. Ricardo Nascimento, Pinheiro, Paulo Sérgio, Rui Borges, Nuno Pinto, André Barreto, Bessa, Milton do Ó, Zamorano são jogadores de primeira liga e duvido que lhes tenham faltado convites. Deve haver muito dinheiro lá pela Trofa...


Não posso esconder que gostava que subisse o Trofense e o Gil Vicente à 1ª Liga. Os primeiros pelas estrelas que muito admiro como Ricardo Nascimento ou Paulo Sérgio e o Gil por tudo o que tem passado nos últimos anos. Para além disso Paulo Alves tem feito omoletes sem ovos e merecia esta recompensa.


De uma coisa não tenho dúvidas: vou continuar colado ao rádio ao domingo à tarde e nestas alturas haver trânsito não é assim tão mau...


Tiago Pinto

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BOLA NA REDE: POR TIAGO PINTO


Para estas coisas ninguém olha...




Na minha colaboração com o PF10 tenho procurado mostrar sempre um outro lado do futebol. Não me tenho quedado (como diz a minha avó) pelos comentários de resultados do fim de semana nem dos casos de arbitragem que assolam constantemente o futebol Português. Sem dar por ela notei hoje que está será a 21ª crónica que assino aqui no PF10 e, como tal, pretendo celebrar esta longevidade (relativa, claro) com mais uma reflexão que poderia ajudar o futebol Português a ser melhor (se o quiser, obviamente).




Como já deixei claro noutras crónicas o futebol Inglês é o meu preferido. Por tudo! Pelo futebol jogado, pelas estrelas intervenientes, pelo público circundante, pela cobertura mediática que tem, pelo papel social e solidário que desempenha, pelos treinadores que comandam as equipas, pela história e estórias dos clubes e rivalidades, pelos árbitros,por tudo. Aqui há uns dias cheguei à conclusão que conheço melhor o futebol inglês do que o Português. Pode parecer mentira mas conheço com mais profundidade do plantel do Derby do que o da Naval ou do Paços...Ele há malucos para tudo, não é?




Partindo desse futebol ideal (para mim) procuro sempre tirar ilações para o pobre futebol Português. E a arbitragem é algo em que o campeonato Inglês é, no mínimo, exemplar (ao contrário do futebol Português onde a arbitragem é, no mínimo, suspeita). Nos 3 jogos que vi este fim de semana (Tottenham - Portsmouth; Manchester United - Liverpool e Chelsea - Arsenal) não me lembro de mais de 1 fora de jogo mal tirado. Um! Os fiscais de linha raramente falham. O jogo é mais rápido que o Português, a pressão é muito maior e o público está mesmo ali ao pé, mas os homens são impressionantes... Também se enganam, mas raramente. Eu e o meu velho estivemos atentos a esse pormaior e até nos ríamos porque às tantas estávamos um para o outro:


"Não, este agora está fora de jogo, o gajo enganou-se..."


"É! Neste o gajo ficou cegueta!"


Veio a repetição e, mais uma vez, nós é que nos enganamos!




Mas até nem foi por causa dos foras de jogo que vos queria falar. São duas situações que aconteceram no United - Liverpool e no Chelsea - Arsenal. No primeiro jogo - o verdadeiro clássico de Inglaterra - Mascherano foi expulso por ter protestado com o árbitro. O jogador argentino tinha amarelo, já tinha - depois disso - feito duas faltas feias e ainda por cima se mandou para cima do árbitro protestando com o amarelo dado a Torres. O engraçado da situação é que os próprios jogadores do Liverpool ficaram mais chateados com Mascherano do que com o árbitro. Xabi Alonso tentou evitar (puxando-o) que o médio argentino continuasse a falar com o árbitro e depois não conseguiu disfarçar a irritação com a atitude do companheiro de equipa. O mesmo se passou com Gerrard que, como bom Capitão, não fez mais do que ajudar a tirar o colega de campo. Mascherano representa bem o futebol latino, infelizmente!




No outro jogo, já perto do final da partida uma bola foi parar ao banco do Chelsea e um dos assistentes de Grant agarrou a bola e não permitiu que o jogador do Arsenal reiniciasse a partida de imediato. O árbitro dirigiu-se ao banco e expulsou-o. Tudo na maior das acalmias. Quando Grant se preparava para protestar com o referee o próprio assistente lhe bateu nas costas, pediu desculpa e dirigiu-se para os balneários...Este assistente representa bem o futebol britânico, felizmente!

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Bola na Rede: Por Tiago Pinto

Benfica: o pé frio (Fernando Santos) e o Dom Sebastião (Camacho)!

O futebol é um vulcão de emoções. Ver um jogo sem essas emoções é como ir para a praia sem areia (por vezes até dava jeito, mas ninguém imagina). Eu sou um adepto de futebol que não as consigo esconder, no mínimo, há sempre um jogador ou outro que me desperta mais emoções e, como tal, em função delas oriento a minha análise dos jogos. Há muito quem diga que vê o futebol com um olhar científico e despido de parcialidade. Quem o diz comete dois erros fulcrais: o primeiro, do ponto de vista científico, porque já ninguém acredita na objectividade total, nem na sociologia nem na física quântica, o olhar do cientista influencia sempre o objecto olhado, muito mais quando o objecto de análise é o ser humano (e no futebol é tudo humano) – daí o segundo erro. Deixando as reflexões filosóficas e epistemológicas passemos ao Benfica e à forma como os dois últimos treinadores foram tratados pelos adeptos, direcção e imprensa Portuguesa.

Não escondo, desde já, a minha preferência por Fernando Santos. Colocou o Benfica a jogar um futebol de ataque, agradável e com uma envolvência colectiva não vista nos últimos anos. Também não posso esquecer as limitações do plantel, o escasso investimento feito pela direcção no início da temporada e os problemas de Verão (transferências; saída e não saída de jogadores como Simão e Karagounis; participação de 8 jogadores no Mundial 2006 e, como sempre, má preparação das temporadas com a chegada de jogadores com a época já a decorrer). Camacho chegou como o Salvador da Pátria depois de um empate e uma vitória do Benfica para o campeonato e para a pré eliminatória da Champions. Pegou numa equipa que tinha sido injectada com cerca de 25 milhões de euros em contratações, no entanto, os problemas de má preparação da temporada mantinham-se. Ainda vieram mais 3 jogadores pedidos por ele e colocou a fasquia bem alta ao dizer que o "Benfica era um grande clube e que o seu trabalho seria construir uma grande equipa". O máximo que conseguiu foi 3 ou 4 jogos bons (onde conciliou boas exibições e bons resultados).

A forma antagónica como os adeptos do Benfica trataram estes treinadores demonstra uma das principais razões que leva ao insucesso desportivo do clube nas últimas décadas: mais emoção do que razão. Quando Fernando Santos tinha lesões musculares era porque era mau treinador e nem as cargas físicas sabia gerir; com Camacho batemos todos os recordes de lesões musculares (se nos lembrarmos da primeira passagem) mas a culpa é do Fernando Santos que fez a pré-época e preparou mal os jogadores; com Fernando Santos (como não havia mais por onde pegar) dizia-se que ele não motivava os jogadores e, por isso, era mau treinador; Camacho alega falta de motivação dos jogadores e os adeptos viram-se contra os jogadores porque não se deixam motivar; com FS os sócios do Benfica queriam fazer de Paulo Jorge, Manu, João Coimbra, Pedro Correia e Beto altos jogadores; hoje em dia Di Maria, Binya, Adu, Sepsi, Cardozo, Makukula, Rodriguez, entre outros, são apenas jogadores medianos que não permitiram a Camacho fazer um trabalho em condições.

Fernando Santos tornou o Benfica imbatível em casa (apenas o Manchester United nos venceu) e ao contrário do que muitos dizem o Benfica vencia quase sempre (não empatava); Camacho conseguiu tornar o Benfica a 4ª pior equipa da Liga em casa. Fernando Santos, apesar de todas as contrariedades e magreza do plantel, conseguiu chegar ao final da temporada com a melhor pontuação dos últimos dez anos (não se esqueçam que o campeonato teve menos 4 jornadas) e a dois pontos do líder; Camacho deixa o Benfica com 14 pontos de atraso do mesmo líder que, curiosamente, tem quase os mesmo pontos da época transacta. Fernando Santos conseguiu (na segunda metade da temporada) colocar o Benfica a jogar o melhor futebol Português, ninguém tinha dúvidas disso. Exibições como a de Alvalade ou em Belém aliadas aos massacres que fazíamos em casa fez voltar o inferno da Luz e isso pode ver-se pelas médias de assistências (é verdade que alguns deles iam lá só para assobiar o treinador) ou pelas audiências televisivas (o programa mais visto do ano foi o Beira Mar – Benfica, por exemplo). Com Camacho mal chegamos aos 30 mil adeptos no estádio, a malta anda cabisbaixo e vejo Benfiquistas a não ver os jogos como a muito não via. Com FS o Benfica foi das equipas da Europa que mais acertava nos postes (mais de 15 bolas em toda a época), contudo quem se queixa da sorte é…Camacho.

Actualmente os adeptos resignam-se e dizem: “pudera não temos o Simão, o Miccoli, o Manuel Fernandes e o Karagounis. O outro (FS) tinha isso tudo e não fez melhor”. Ora bem: em primeiro lugar FS nunca teve Manuel Fernandes e, mais, se acontecesse com Camacho aquela situação que originou a transferência do ingrato Manuel Fernandes o espanhol bateria com a porta e a comunidade Benfiquista solidarizava-se com ele. Com Fernando Santos ainda o mandaram embora... Karagounis fez uma segunda volta tremenda, um enorme jogador que, com Fernando Santos, atingiu um nível nunca visto no Benfica. Contudo não se podem esquecer que era suplente de Nuno Assis até à suspensão, foi, inclusive, um jogador assobiado pela maioria daquele que hoje dizem que era o maior. Quanto a Miccoli (jogador que eu adoro, ainda hoje vejo os jogos do Palermo só para o ver) é uma falsa questão. Cardozo em apenas pouco mais de metade da temporada já apontou quase tantos golos como Miccoli nas duas temporadas que cá esteve…(eu sei que parece treta, mas podem confirmar à vontade). Contudo, mesmo assim (para os adeptos do Benfica) é muito mais penoso Camacho não ter tido Miccoli que Fernando Santos não ter tido Cardozo...Por fim, Simão é incomparável. Não só pelo que jogava mas pelo que representava para a equipa – como capitão – e para os adeptos. É óbvio que Rodriguez é muito bom, Di Maria pode vir a ser muito relevante, mas como Simão não haverá mais nenhum (até ele próprio voltar).

Mas será que a falta de Simão (que Fernando Santos também sentiu nos dois jogos desta época) é justificação para a péssima prestação do Benfica?

Eu acho que não! O Benfica tem um plantel em termos individuais como há muito não se via. Tem um lote de jogadores internacionais que faz inveja a qualquer clube português (Argentina, Costa do Marfim, Camarões, Brasil, Uruguai, Portugal, Grécia, entre outros); se atentarmos ao plantel de início da temporada (e apesar de todos os contratempos) tínhamos um plantel equilibrado (para o 4-4-2 losango), contudo a teimosia e cruzada de Camacho contra tudo o que Fernando Santos fez originou um plantel totalmente desequilibrado para um 4-4-2 ou 4-2-3-1 onde as alas assumem uma enorme preponderância. Camacho, com as suas opções tácticas e escolhas de jogadores tornou o plantel do Benfica ridiculamente desproporcionado.

Se hoje as coisas estão como estão não se devem, com certeza, a uma só pessoa, mas Camacho está longe de poder ser ilibado deste caos. Camacho, os adeptos, o Presidente, os jogadores, Fernando Santos todos têm responsabilidade. Mas, na minha humilde opinião, o grande responsável por tudo isto é o facto de não terem deixado Fernando Santos continuar o seu trabalho…

Termino colocando a nu os resultados de ambos os treinadores:
Jogos:
Camacho 37
Fernando Santos 44

Vitórias:
Camacho 17 (45%)
Fernando Santos 28 (64%)

Derrotas:
Camacho 7 (19%)
Fernando Santos 8 (18%)

Empates:
Camacho 12 (32%)
Fernando Santos 8 (18%)

Jogos em casa (faço esta análise porque apesar de haver quem diga que jogos em casa e fora já não existem no futebol moderno, para os Benfiquistas, vencer no Estádio da Luz é a coisa mais importante do mundo):

Camacho: 20 jogos; 9 vitórias; 9 empates; 2 derrotas
Fernando Santos: 22 jogos; 15 vitórias; 8 empates; 1 derrota

P.S: Bem sei que vão chover comentários a dizer que não percebo nada de futebol, mas isso acaba por retratar tudo o que aqui escrevi…

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BOLA NA REDE! POR: TIAGO PINTO

Grande Taça Uefa!?

De acordo com as nossas preferências clubísticas vamos analisando os graus de dificuldade e valor das competições em que os clubes participam. Por exemplo, todos nós gostamos de ver a forma como em Inglaterra se vive a Taça da Liga, todos achámos boa ideia o desenvolvimento de uma competição similar em Portugal, contudo, por esta hora apenas os adeptos do Sporting e do Vitória de Setúbal acharão piada à prova.

Toda a gente reconhece a beleza da Taça de Portugal e todos andamos entusiasmados com o facto de os 3 grandes estarem nas meias finais, contudo para alguns passará a ser, apenas, uma fruteira depois das meias finais.

Não vale a pena contornar a questão, é mesmo assim. E estas ideias passam muito para lá do adepto de futebol comum.

Por exemplo, aqui há uns dias ouvi numa rádio credível e onde acompanho sempre o futebol, dizerem que: "a taça uefa é uma prova fraca, com equipas de segunda linha onde, por exemplo, o Hamburgo é um dos principais favoritos mesmo estando mal classificado na Bundesliga e apesar de na época transacta ter feito uma excelente temporada". (o senhor que disse isto é pago por, supostamente ser entendido de futebol e conseguiu dizer que o Hamburgo - 3º classificado - está mal posicionado e que na época transacta é que esteve bem terminando em 7º...)

Na Sporttv um comentador que tem sido muito referido nos últimos tempos por conseguir analisar um jogo que não viu disse que será mais importante o Benfica ou o Sporting conseguir o segundo lugar do campeonato em vez de vencer a Taça Uefa...

Eu sempre assisti à final da Taça Uefa com entusiasmo. É óbvio que não vou compará-la à Champions mas é uma prova mitica e com grandes equipas. Mourinho diz que lhe deu mais prazer vencer a Uefa do que a Champions, Markus Babel diz que o momento mais alto da sua carreira foi quando venceu a Uefa frente ao Alavés. Juan de Ramos é o que é, hoje, graças a vitórias consecutivas na Taça Uefa. O Galatasaray teve como um dos maiores momentos da sua história a vitória na Uefa, o próprio Real Madrid orgulha-se de ter vencido a prova. Honestamente, há coisas que me custa a entender...

Olhando para os oitavos de final da prova deste ano temos: o esquadrão alemão, Bayern, Hamburgo, Leverkusen e Bremen; os ingleses Everton, Tottenham e Bolton; o Anderlecht; o Marselha; o PSV; a Fiorentina; o Getafe; o Rangers e o Zenit da Rússia, para além dos Portugueses Benfica e Sporting. Neste lote estão 7 equipas que já foram campeãs europeias, os actuais 4 primeiros classificados da Bundesliga; o lider do campeonato Holandês; o 4º classificado do campeonato Italiano; o, mais que provável, bi finalista da Taça do Rei de Espanha e o actual 4º classificado da Liga Inglesa, entre outros...isto é uma competição fraca? Qualquer dia dizem-me que a Champions é fraca por ter o 5º classificado do Calcio, o 5º da Liga Inglesa, o 6º da Bundesliga, apenas o 2º da Liga Turca e da Liga Grega ou o 7º da Liga Espanhola...Não dizem, pois não? Era o que faltava...

Na minha opinião, o crescimento dos clubes médios dos grandes campeonatos tem criado um enriquecimento da compeitividade da Taça Uefa. Equipas como o Everton, o Sevilha, o Hamburgo, o Tottenham, o Bremen, o Espanyol têm tido prestações muito interessantes. Para além disso ainda existem os clubes que são teoricamente mais fortes e que, por uma razão ou outra, aparecem na Uefa como o Liverpool, o Bayern, o PSV, entre outros. Por tudo isto, não consigo perceber como se tem desprestigiado (e Portugal) tanto esta prova.
Esta é a minha visão da coisa, não é a única com certeza, pode não ser a mais recorrente, mas parece-me (por ser minha) a mais acertada...

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BOLA NA REDE! POR Tiago Pinto
Está tudo dito!
Escrever em espaços públicos, como os blogs, é uma aprendizagem muito interessante ao nível pessoal. Quem tem coluna vertical tem noção do que escreve e, de vez em quando, deverá ser obrigado a retratar-se por aquilo que certa altura escreveu. Simplesmente: as pessoas gostam de ler o que escrevemos (ou apenas lêem por acaso) e, por isso, não as podemos defraudar deixando-nos cair em contradições ou deixar passar em claro um falhanço tremendo numa previsão. Pelo menos esta é a minha forma de ser e estar nestas coisas.

Como já devem ter deduzido este post serve, acima de tudo, para corrigir algo que aqui escrevi há algumas semanas onde dizia que o campeonato ainda tinha muito para dar mesmo sabendo das debilidades de Benfica e Sporting e, acima de tudo, do poderio do Porto. Na minha opinião o campeonato terminou ontem! O Porto será campeão lá pela Páscoa e Lisandro Lopez será o melhor marcador, conseguindo chegar perto da marca de Jardel - 1 golo por jogo. O Porto consegue estar melhor que na época passada comandando com mais um ponto, comparativamente à jornada 20 da temporada passada. Mais do que isso, a equipa parece estar mais consistente (independentemente das alterações que Jesualdo faz todas as semanas) e passeia o campeonato.

Um campeonato não se ganha apenas pelos resultados próprios mas também pelos erros dos outros. E nesse particular Benfica e Sporting entregaram de bandeja o título ao Porto. Reparem em alguns por maiores:

- O Benfica (em comparação com a jornada 20 da temporada anterior) tem menos 7 pontos. Não sei se se lembram mas queriam mandar Fernando Santos embora porque aquele tinha sido o pior arranque da história. Pelo andar da carruagem esse registo já não lhe pertence e 7 pontos é muita coisa. O ano passado por esta altura o Benfica estava a 4 pontos do líder...
- O Sporting tem, exactamente, os mesmos 7 pontos a menos! A diferença é que passou com distinção na Taça Uefa, venceu a Supertaça e está na final da Taça da Liga, já para não falar na diferença abissal de investimento em jogadores e, consequente, qualidade do plantel.
- O Benfica tinha mais 8 golos marcados e não teve o Boavista para dar 6 e, muito menos, as soluções de ataque que este ano tem (Adu, Cardozo, Rodriguez e Di Maria deveriam chegar para suprir as saídas de Miccoli e Simão);
- O Sporting está pior tanto em golos marcados (menos 2) e golos sofridos (mais 5). A lesão de Djaló, as birras de Liedson, a inadaptação de Purovic e a incógnita Tiui têm permitido tardes/noites tranquilas aos adversários.
- No registo em casa o Benfica por esta altura tinha 8 vitórias e um empate, mais, no final da temporada tinha apenas 4 empates e o resto vitórias. Este ano tem 4 vitórias, 5 empates e 1 derrota, à vigésima jornada. Vergonhoso para quem, efectivamente, se quer candidatar ao título.

Resumindo e concluindo: o Porto é campeão com mérito próprio e muito demérito dos adversários! O Benfica volta a cometer os mesmos erros de sempre no planeamento das temporadas, despediu um treinador que tinha feito um bom trabalho (tendo em conta os recursos que tinha) e contratou um treinador por afinidade que se esqueceu de um investimento superior a 20 milhões de euros em jogadores, de que esta era a melhor equipa dos últimos 10 anos e, acima de tudo, que o Benfica é candidato ao título e, por isso, tem obrigação de vencer, pelo menos, os jogos em casa. Para Camacho está sempre tudo normal: a bola entra ou não entra. Nunca joga mal e os jogadores têm sempre atitude, a bola entra ou não entra.

Este está longe de ser o Camacho que conhecíamos de outras épocas. Um homem enérgico, aguerrido, lutador e ambicioso. Mas será que ele ainda é treinador do Benfica, ou está só a prazo?

No Sporting creio que o problema é diferente. Têm poucos recursos, acabaram por contratar jogadores possíveis e não os desejados e agora estão a pagar a factura. Contudo não duvido que chegarão ao 3º lugar, que ganharão a Taça da Liga, que ganharam a Supertaça e, afinal, é de títulos que se fazem os vencedores. Na minha opinião, Paulo Bento, continua a fazer um bom trabalho, mas o plantel é parco em qualidade e basta faltar Vukcevic, Izmailov e Abel (por exemplo) para as coisas tremerem muito.

Enganei-me!

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Afinal nós pagamos para ver o quê?

No passado sábado estava eu colado à TV a ver o United – Arsenal (com os jogadores do Trofense todos ao meu lado – que grande equipa eles têm) quando Nani arranca uma jogada digna de um enorme jogador. Recebe a bola de cabeça e quando se apercebe que ela vai fugir consegue dar uns tantos toques seguidos, mesmo estando a ser incomodado pelo adversário. Ainda com a bola passa-a para os pés, mais uns toques e, finalmente, parte o adversário todo (que já andava de rastos). Gilberto Silva insutlou-o mas, afinal, o que queria era avisá-lo que a jogar daquele forma ainda levaria um pontapé muito feio…

Na verdade não demorou muito, porque o porco do Gallas atirou-se para cima do rapaz (depois e levar mais um nó cego) como se não houvesse amanhã. Já sei que não faltará quem concorde com esta postura quer de Gilberto, quer de Gallas. Na verdade em Portugal somos assim: “o Quaresma devia era levar uns troços para ver se aprende”; “o Ronaldo põe-se para ali a brincar e depois não quer apanhar no corpo”…

Já estou habituado a ouvir isto constantemente e fico a pensar: mas final o que é futebol? Eu pago para ver quem, o Gilberto e o Gallas, ou o Ronaldo e o Nani? Já sei que me dirão que o futebol é um desporto colectivo. Certo! Que numa equipa todos os elementos são importantes. Certo! Mas alguém viu um jogador oferecer pancada – ou dar, mesmo – ao Nesta por ele fazer cortes impecáveis? Alguém viu um jogador pontapear o Ferdinand e o Vidic por limparem todas as bolas que caem na área? Já alguém viu um colega de profissão insultar o Ricardo Carvalho quando, para além de defender bem, arranca por ali fora com a bola e passa por todos? Eu nunca vi! O futebol é um jogo colectivo, uma equipa é muito mais do que a soma de individualidades, contudo devemos respeitar as diferenças entre os jogadores. Nani não foi insultuoso como Edilson foi aqui há uns anos no campeonato Brasileiro, mas mesmo assim, por ser melhor do que outros, por deixar os adversários prostrados no chão merece uns troços…

Isto é a lógica da batata! A inveja e raiva pelos outros serem melhores mascara-se de um estúpido paternalismo bem representado pelas declarações de Gilberto Silva. Era a mesma coisa que o David Luiz (depois de ser ultrapassado por Quaresma) ir atrás do ciganito e dar-lhe um tabefe dizendo: “é para te avisar, senão qualquer dia vais apanhar uma pancada forte, isso não se faz”.

Pago para ver os jogadores todos, pago para ver a equipa do United, adoro vê-los, elogio o seu colectivo e a sua solidariedade enquanto equipa mas quem me faz levantar do sofá é o Ronaldo, o Nani, o Anderson, o Rooney, por mais que goste (e adoro) o Vidic e o Ferdinand.

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BOLA NA REDE: TIAGO PINTO

A CAN faz-nos sentir estúpidos!

Adoro ver jogos da CAN. É o futebol espectáculo, puro e emocionante. Grandes craques, poucas condições, público sempre em festa, golos à farta, equipas conceituadas, jogadores desconhecidos, tudo por um Continente pobre e em constante erupção que mesmo os grandes artistas da bola - e ricos - não deixam de lá voltar. Para mim é impressionante ver que Drogba, Eto'o, Essien, os irmãos Touré, Eboué e tantos outros deixem os seus fantásticos clubes numa época tão decisiva como esta para representar as suas selecções. É só pensar no que fazem os jogadores Brasileiros e Argentinos aquando da Copa América para entenderem melhor o que quero dizer...

Sempre que vejo um jogo da CAN (e ontem vi os dois) sinto-me parte integrante uma comunidade estúpida - os portugueses do futebol.

Somos estúpidos porque deixamos Manucho andar até aos 24 anos em Angola sem o pescar. E o rapaz tem tão pouca qualidade que acabou por rumar ao United e ser um dos melhores jogadores da CAN deste ano;

Somos estúpidos porque foi Português o treinador (Jaime Pacheco) que andou às turras com Eto'o dizendo que era mimado e que não se precoupava com a equipa...Vendo o que ele tem feito pelos Camarões isto só dá para rir...

Somos estúpidos porque foram clubes Portugueses (Marco, Desportivo das Aves, Leiria e Paços de Ferreira) que não consideraram Bikey (actualmente titular do Reading e da selecção dos Camarões) jogador de qualidade suficiente para jogar em Portugal;

Somos estúpidos porque foi Português (Paços de Ferreira) o clube que dispensou Nkong (marcou ontem o golo que apurou os Camarões para a final) dos seus quadros sem lhe dar grandes oportunidades de mostrar o seu valor;
Somos estúpidos porque foi um clube Português (Benfica) que considerou exagerado dar 4 milhões de euros por Atouba (actualmente no Hamburgo) preferindo ir investindo em jogadores como Miguelito, Luís Filipe, Sepsi, etc;

Somos absolutamente estúpidos por não saber aproveitar a proximidade cultural e social com África para contratar bons jogadores a baixos preços. Ontem - nas meias finais da CAN - o Chelsea tinha 3 jogadores, o Arsenal 4, Tottenham, Newcastle, West Ham, Barcelona, Bremen, Sevilha entre outros faziam-se representar e de Portugal apenas 2 jogadores (Benfica);

Somos estúpidos porque temos treinadores Portugueses fartos de nos avisar sobre grandes jogadores Egipcios, eles têm dominado a seu belo prazer as competições Africanas e nós continuamos a ir ao Brasil e não conseguir pescar uma único no Egipto;

Somos estúpidos porque descobrimos jogadores em treinos de equipas secundárias do Brasil e nem sequer conseguimos aproveitar alguns jogadores envolvidos numa competição como a CAN;

Somos estúpidos porque perdemos Manucho e continuamos sem conseguir olhar para Flávio como olhamos para um Brasileiro de terceira divisão;

Um reconhecido treinador Português disse há pouco tempo que os clubes portugueses não poderiam comprar jogadores Africanos porque eram muito baratos...Deixava de haver margens de lucro para empresários e coisas similares, dizia ele.

Também por isso somos estúpidos!

P.S: "A estupidez é a qualidade ou condição de ser estúpido, ou a falta de inteligência" (Wikidicionario). A utilização deste adjectivo pode ser subjectiva assim como as ideias que temos sobre ele, mas para o caso serve...Caso o queiram substituir podem sempre utilizar os sinónimos: burros (não o animal), parvos (não os da Media Markt), ceguetas, cromos...


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A "Vitória" do Setúbal!

Quando todos os adeptos do futebol português apontam mira para a excelente época realizada pelo Vitória de Guimarães, eu prefiro dizer (sinceramente) que a equipa que mais me surpreendeu e continua a surpreender é o Vitória de Setúbal. Os resultados falam por si mas, neste caso, são redutores quanto à excelente época que os sadinos têm realizado, isto porque o futebol de ataque e atractivo que jogam é um regalo para os olhos de qualquer adepto. Inclusive até voltaram a dar vida ao estádio (deserto) do Bonfim!


Actualmente estão no 6º lugar da Bwin Liga à frente de equipas como o Braga e o Belenenses e a uns míseros 3 pontos daquele que dizem ser "o fenomenal Vitória de Guimarães". Se a isto juntarmos o facto de serem a 5ª melhor defesa do campeonato e o 4º melhor ataque podemos concluir que têm feito um campeonato do caraças...Na Taça de Portugal já estão nos oitavos de final e irão defrontar a equipa que eu aqui tenho colocado em comparação, o Vitória de Guimarães. Para finalizar, estão a um pequeno passo (vamos ver se o dão...) de se apurarem para a final da Taça da Liga depois de terem vencido o Benfica e o Sporting entre outros. Resumindo e concluindo: um espectáculo de temporada.


Da mesma forma que o Guimarães tem encantado os homens do apito (é inequívoco que venceram "n" jogos com erros flagrantes dos árbitros) também o tem feito em relação à comunicação social que se debruça sobre eles como se mais nada houvesse. Por outro lado, o enorme trabalho de Carvalhal e da equipa de Setúbal vai passando despercebido até cada encontro com os grandes ou da fase final da Taça da Liga. Até parece que ninguém sabe das dificuldades que aquele clube passa diariamente, parece que ninguém se lembra que na temporada passada se seguraram na última jornada, até parece que ninguém se dá ao trabalho de analisar o plantel que eles têm e perceber como chegaram aqueles jogadores a Setúbal.


Na minha opinião o Vitória de Setúbal é uma equipa que dá prazer ver jogar e que merece ser-lhe reconhecido o mérito de ser uma das melhores equipas portuguesas nesse capítulo. A todos estes feitos é muito relevante juntar mais dois: em primeiro lugar o aperto financeiro em que vive o clube e, segundo, em termos desportivos a equipa foi construída por dispensas de outros clubes. Por tudo isto, Carvalhal merece uma enorme ovação.


Reparem: Matheus e Eduardo foram dispensados de Braga, um já voltou e outro já é considerado um dos melhores guarda redes portugueses da actualidade. Edinho chegou ao Setúbal porque mais ninguém o queria e sai dando dinheiro ao clube e mostrando uma tremenda capacidade de fazer golos (por momentos até do interesse dos grandes se falou). Pitbull tem-se afirmado como um jogador a ter em conta, senão no Porto, numa equipa que lute pelas competições europeias dadas as excelentes exibições que o Brasileiro tem realizado. Elias e Sandro foram dispensados do Porto (onde nunca tiveram oportunidades) e tem-se revelado fulcrais nesta sensacional época dos sadinos (não estou, com isto, a a dizer que tinham lugar no Porto). Ricardo Chaves foi empurrado de Braga e em Setúbal volta a ser um médio defensivo dos melhores que o campeonato tem. Tenho poucas dúvidas acerca da afirmação de Bruno Gama que, depois de recuperado da lesão grave no início de época, conquistou o seu espaço na equipa e não tardará a rebentar.


O plantel é curto e remediado, o dinheiro escasso, contudo Carvalhal descobriu muita qualidade em jogadores que, por esta ou aquela razão, pareciam perdidos para o futebol. Mais do que isso, conseguiu que o Setúbal jogasse bom futebol, assumisse as partidas, mostrasse vontade e capacidade de vencer todos os jogos. Para mim é deles o mérito de ser surpresa da primeira volta do campeonato.


Pelos menos a mim foram os que mais me impressionaram.


Tiago Pinto

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O homem do dinheiro!

Nicolas Anelka acabou de se transferir para o milionário Chelsea. E milionário é o que ele é, não só pelo dinheiro que ganha mas, acima de tudo, pelo dinheiro que ele já gerou no futebol. De menino-prodígio no PSG, a estrela maior na transferência para o Real Madrid, passando por vedeta mimada na Turquia ou no City, Anelka ainda agora – aos 28 anos – consegue originar mais uma transferência milionária.

Atentem:

Transfere-se do PSG (clube onde foi formado) para o Arsenal (de Wenger) por 500 mil libras;

Do Arsenal para o Real Madrid (onde viria a fazer apenas 8 golos e 39 jogos) por 22 milhões e 300 mil libras;

De Madrid para regressar ao PSG (disse na altura que em Madrid não havia lojas de roupa como em Paris…) por 20 milhões de libras;

De Paris para o City (de Keagan) por 12 milhões de libras;

Do City para a Turquia (Fenerbahçe) por 7 milhões de libras;

Dos canarinhos turcos para o Bolton (onde conseguiu 21 golos em pouco mais de 50 jogos) por 8 milhões de libras;

E, para já, para o Chelsea (dos milhões) por 15 milhões de libras…

Cerca de 85 milhões de libras que este homem já movimentou com as suas mudanças de clube. Isto dá qualquer coisa como 112 milhões de euros, mais de 22 milhões de contos…

Sou um confesso admirador das qualidades deste jogador, contudo é irreal o montante de dinheiro que ele fez girar à sua volta porque, no final das contas, é um jogador com uma média de 0.3 golos por jogo…É um jogador de equipa, que também faz muitas assistências, com muito talento. Mas 112 milhões de euros é muita fruta…se fizermos as contas dá quase 1 milhão de euros por cada golo marcado (foram 138 no total da sua carreira).

Anelka do ponto de vista desportivo foi um jogador que nunca se conseguiu afirmar em grandes clubes, quer no Liverpool (onde esteve por empréstimo), quer no Real Madrid não se conseguiu impor. Foi sendo a estrela maior de clubes médios como o City e Bolton e, finalmente, espero que no Chelsea consiga fazer jus aquele inicio auspicioso no Arsenal. Todavia, não deixa de ser muito curioso que um jogador que apenas conseguiu 43 internacionalizações consiga levar os clubes a investir tanto dinheiro para contratar os seus serviços.

Sendo assim, para além do valor desportivo não haverá dúvidas que ele tem muito mercado, caso contrário seriam muitos clubes a enganarem-se e a deitarem dinheiro fora.
TIAGO PINTO

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Lembram-se do profissionalismo?

Num dos últimos artigos aqui publicados falei da necessidade de os dirigentes desportivos serem profissionais a sério. Que não se ocupassem dos clubes em part time e quando lhes desse na real gana. Actualmente temos muitos dirigentes que gostam de futebol, têm algum dinheiro e adoram comprar e vender jogadores, como tal metem-se num clube e toca a andar que para a frente é que é o caminho.

O exemplo que vou dar de seguida não significa que considere Cabral Ferreira um destes habilidosos dirigentes desportivos. Tenho muito respeito – mas muito mesmo – pelos Belenenses e se os sócios do Restelo o elegeram é porque ele tem competências. Todavia, como é possível desconhecer os regulamentos dos campeonatos em que se participa? Como é possível desconhecer aspectos essenciais do passado recente do jogador como por exemplo, se jogou ou não pelo clube anterior? Isto só em Portugal!

Quem está atento ao futebol conhecia sobejamente esta lei. Mascherano transferiu-se do Corinthians, no início da época passada, para o West Ham e na reabertura do mercado foi para o Liverpool. Quem lê jornais sabe que nessa altura muito se falou desta lei e o jogador argentino só conseguiu jogar porque a época de futebol brasileira é diferente da europeia, mesmo assim foi necessário pedir autorizações e esclarecerem o assunto. Mas acham que ele chegou a Liverpool antes disto estar decidido? Claro que não, a transferência ficou pendente até à resolução do qui pró quo…No Belém contrata-se primeiro, joga logo no jogo seguinte e depois apercebem-se do erro.

Os adeptos estão irritados e pedem a cabeça de um tal de Carlos Janela (que por sua vez viu o seu pedido de demissão rejeitado pela direcção) mas para mim tinha de ser tudo corrido…A sério, malta, pensem comigo: acham que algum de nós contratava um jogador sem ter a certeza de que ele podia jogar? Bastava perguntar ao Meyong:

- Então, rapaz, como correu aquilo no Levante? Jogaste algum tempo, ou o treinador não te convocava?
- Presidente o gajo não gostava de mim, só me deu 10 minutos num jogo em Agosto e depois mandou-me para o Albacete…

Bingo!


Tenho muita pena do jogador que vai passar uma época inteira sem jogar e dos adeptos do Belenenses que ainda este fim de semana acorreram em massa ao estádio para verem um dos seus ídolos e agora vêem as suas expectativas goradas e 6 pontos a voar…Dos responsáveis do Belenenses só tenho a dizer: BEM FEITO!!!

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Sorte ou azar?!


No futebol como na vida vivemos numa espécie de limbo entre a sorte e o azar. Os caminhos que tomamos, as pessoas que conhecemos, as opções que fazemos condicionarão de uma forma inevitável o nosso futuro. Einstein na sua “fórmula de Deus” indiciava um elo de ligação natural entre tudo o que acontecia no nosso mundo. O nosso fim e as nossas vivências não estavam destinados, temos o livre arbítrio para escolher, todavia tudo – para ele – parecia de alguma forma determinado por condições naturais a que Einstein chamava Deus. Basicamente a ordem natural das coisas leva-nos, em determinado momento, a ter de optar por determinadas opções que, no futuro, nos levarão a determinados caminhos. Não sei se estarei a adulterar a genialidade de Einstein com este meu determinismo mas, peço desculpa, para o que é serve…

No futebol profissional, ou melhor, no futebol ultra profissional, onde os jogadores e treinadores ganham muito dinheiro e são tratados com todas (e mais algumas) mordomias vemos, muitas vezes, que, afinal, aquilo não é muito diferente do que nós jogamos ao sábado com os amigos. Chegam ao fim do jogo e se perdem foi o azar ou o árbitro, se ganham – independentemente da exibição – foi o sacrifício, estoicidade e qualidade do seu trabalho e dos seus jogadores. Aqueles que nós idolatramos, amamos e veneramos são, no final das contas, muito parecidos connosco. Terrível! Esta ideia dá cabo da magia do futebol, da ideia de que nem todos - ou melhor só uma minoria - pode ser craque, treinador e interveniente naqueles jogos vistos por milhares, milhões de pessoas.

Terá isto, algum cabimento? Claro que não! O problema reside nas néscias (eufemismo para dizer estúpidas) explicações dadas pelos nossos ídolos. “Jogamos bem, mas a bola não quis entrar”, “hoje não era o nosso dia”, “não tivemos aquele pontinha de sorte” são algumas das expressões que ouvimos e vemos de uma forma recorrente nos finais dos jogos.

Meus caros, não sei se partilham da minha opinião mas, do ponto de vista, profissional isto é ridículo e contraproducente. Peguemos num exemplo prático: o Benfica de Fernando Santos conseguiu atirar mais bolas ao ferro durante uma época que – digo eu – as restantes equipas da primeira liga. No final dos jogos, adeptos, jogadores e treinador diziam mal da sua sorte e acreditavam que um dia a coisa ia mudar. Mas não mudou. Sabem porquê? Porque o Benfica arrancava para cima do adversário, estava ansioso e na cara do guarda-redes acabavam por falhar. De imediato lançavam as mãos à cabeça e apelavam aos deuses que os ajudassem. A ansiedade aumentava, a impaciência também, o discernimento diminuía e a frieza que distingue um qualquer jogador de rua para um profissional pago a peso de outro esbatia-se até às milésimas. Resultado: uma bola de neve de azares serviam de justificação e almofada aos maus resultados.

Mais um pequeno exemplo: no final do jogo Estrela da Amadora – Vitória de Guimarães (onde o Vitória atirou 5 bolas ao ferro e perdeu por 4-1) Flávio Meireles, capitão do Guimarães e jogador que muito admiro, falou como se a equipa merecesse aquele resultado. Muito estranho em Portugal! Disse que a equipa tinha de reflectir sobre o jogo, melhorar a sua prestação e preferir jogar mal e perder em vez de jogar bem, atirar bolas ao poste e perder. Nem Cajuda conseguiu ser tão frio. E tem toda a razão! São profissionais e devem olhar para as bolas na trave como as bolas ao lado: susceptíveis de serem melhoradas. A sorte e o azar andam de mãos dadas, se por um lado houve azar ao bater na trave, houve sorte em a bola não ter ressaltado quando o jogador chutou…como profissionais eles têm de intervir, primeiramente, nos factores que podem influenciar o resultado final do que esperar que esses factores influenciem as suas prestações.

Os treinadores (como Camacho) ao alimentarem este discurso de vitimização da sorte e de apelo à mudança de ventos retiram aos jogadores uma condição essencial: necessidade e vontade de eles próprios mudarem a sorte! O essencial é reparar os erros e incentivar os jogadores a mudarem as coisas pelos seus pés e cabeça. É isso que os distingue de nós, meros futeboleiros de domingo.

Mais um exemplo: no primeiro almoço do ano eu e o Lando enganámos o pessoal da família ao dizer que a carne em cima da mesa era biológica. A malta começou a comer e não tardaram: “humm, isto nota-se logo a diferença, que bela carne”, “sim senhor, isto é que é carne da boa, realmente os ecologistas têm razão.” Quando confrontados com a verdade: aquela carne era de um talho normal o pessoal nem sabia bem o que dizer, para além de rir…Os psicólogos chamam a isto efeito pigmaleão (quando a nossa pré-concepção acerca de alguma coisa nos induz a um comportamento imparcial no sentido positivo ou negativo de acordo com essa pré-concepção).

No futebol é a mesma coisa, se um treinador dá a hipótese, aos jogadores e a ele mesmo, de justificar as derrotas e empates com o azar é o fim da macacada…torna-se um discurso contraproducente e sem o efeito positivo e esperado sobre o rendimento das equipas. Cada vez mais o futebol joga-se em diversos quadrantes e o psicológico é um dos mais fulcrais. Apesar de publicamente Mourinho ter falado algumas vezes em sorte e azar duvido que alguma vez, no balneário, tenha atribuído a essa dicotomia a razão do sucesso/insucesso da sua equipa. Talvez seja uma ideia minha acerca dele, mas pelo menos, se um dia for treinador de uma equipa profissional de futebol, já sabem, não há cá sorte e azar para ninguém.

Mais, comigo, os meus jogadores teriam, eles mesmos, de vencer o azar e contratar a sorte, caso contrário iriam outros fazê-lo no lugar deles…

Bem sei que isto é demasiado subjectivo para merecer consenso, mas como diz o outro: talvez valha a pena pensar sobre isto!

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Bola na Rede...Por Tiago Pinto

A dança dos avançados!


Enquanto joguei futebol federado (dos 13 aos 17) sempre adorei a posição de ponta de lança. Nem sempre lá joguei porque os meus treinadores eram cegos e diziam que eu tinha talento a mais para jogar apenas na área e lá tinha que ser o 10 da equipa. Ser ponta de lança é estar sempre no fio da navalha, um pouco como os guarda-redes. Não há meio-termo: se marcas és o maior, se não marcas és uma besta. Vive-se num mundo de exageros, quando se tem sucesso passeia-se num mundo irreal onde tudo é felicidade, quando se tem insucesso passasse os dias deprimidos a perguntar: mas porque é que ela não entrou? Há quem lide mal com ambas as situações e são muitos os jogadores que se passam da cabeça quando as coisas correm mal, mas eles não sabiam o que estavam a escolher quando quiseram ser ponta de lança? Ser ponta de lança é mesmo assim!


Na minha humilde carreira (mesmo muito humilde) marquei mais 50 golos e lembro-me de todos (como o Schevchenko), mas lembro-me ainda melhor dos enormes falhanços, daquele penalti defendido, daquela cabeçada à trave com a baliza toda aberta…Não há outra forma de ser ponta de lança. Ainda hoje olho sempre com atenção redobrada para os homens da frente, os que fazem golos (ou não). Se eu vivi enquanto miúdo e amador aquele suplicio/êxtase imaginem como vivem os craques que têm de lidar com milhões (de espectadores, de responsabilidades, de euros, de exigências, de expectativas).


Tudo isto a propósito do carácter mutável das carreiras dos ponta de lança. Vejam os seguintes exemplos:


Fred e Benzema: enquanto Fred partia a loiça ao serviço do Lyon, Benzema aprendia com ele. Fred fartou-se de fazer golos, bonitos golos e golos muito úteis aos sucessos nacionais e internacionais do Lyon. Falou-se muito da possibilidade de ele sair para grandes clubes e num ápice tornou-se internacional Brasileiro fazendo parte da comitiva presente no Mundial 2006. Teve uma lesão grave, parou muito tempo e Benzema aparece a facturar como um louco (parece ter aprendido a lição) tornando-se alvo de atenção mundial. Fred está de saída do Lyon e Benzema é o titular indiscutível…


Santa Cruz e Benni McCarthy: Benni sempre foi um dos meus preferidos, um finalizador admirável, com um remate portentoso e um sentido de oportunidade único. Marcou muitos golos ao serviço do Porto e tornou-se numa das revelações do futebol inglês na época passada ao apontar 24 golos pelos Rovers. Mourinho queria levá-lo para o Chelsea mas o Blackburn pediu dinheiro a mais. Enquanto isso santa Cruz, apesar das suas qualidades, estava encostado no Bayern; não jogava e não marcava. Meses depois Benni está em conflito com o seu treinador e sempre que Hughes entra em campo com apenas um ponta de lança o escolhido é Santa Cruz. O jogador paraguaio já apontou 13 golos esta época e Benni apenas 5…


Klasnic e Hugo Almeida: o jovem jogador português nunca tinha conseguido chegar aos 10 golos numa época enquanto profissional de futebol. Tinha potencial físico e técnico mas em Portugal não conseguiu responder às expectativas. Enquanto isso o croata Klasnic começava a tornar-se um caso sério na Bundesliga fazendo golos atrás de golos e tornando-se presença assídua na selecção do seu país. Quando Hugo Almeida chega a Bremen tem a missão de olhar para Klasnic como uma referência. Infelizmente o croata teve um grave problema de saúde e ficou afastado muito tempo dos relvados, Hugo Almeida cresceu, aprendeu e começou a marcar golos em catadupa. Esta época fez 7 golos em 13 jogos e o regressado Klasnic vai ter de se penar para lhe roubar o lugar que já foi seu.


Forlan e Mista: enquanto Forlan dava cabo da paciência aos adeptos do United (e eles não são nada dessas coisas) afirmando-se mais como um erro de casting do que como um potencial grande jogador, Mista estava em grande ao serviço do Valência. Na época 2003/04 foi o melhor marcador da equipa, um dos melhores do campeonato Espanhol e ajudou (com um golo na final) a vencer a Taça Uefa frente ao Marselha. Num ápice tornou-se num dos ponta de lança mais badalados da Europa. Nessa mesma temporada Diego Forlan apenas marcou 4 golos pelo United. Hoje estão os dois em Madrid (no Atlético) e quem não conhecer as suas histórias não hesitará em chamar “empregado” a Mista, se comparado com o titularíssimo Forlan. Actualmente o uruguaio leva 6 golos na Liga e Mista ainda nem molhou a sopa, ambos fizeram um golo na Taça do Rei mas Forlan leva 5 na Taça Uefa e Mista nem um…


Estes são exemplos que confirmam a minha teoria de que os ponta de lança vivem no limiar entre a glória e a depressão, quase não existe meio-termo. Se marcam jogam e são mundialmente reconhecidos, se não marcam são relegados para o banco e deixam de fazer parte do nosso imaginário.


Aguero, Tevez, Rooney, Adebayour, Torres e Huntelaar são alguns dos marcadores de serviço do momento mas pouco lhes garante que o sejam até ao final da sua carreira…


Tiago Pinto



P.S: Durante anos a fio sonhei fazer parte deste lote dos magníficos e – até que enfim – consegui…

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publicado por Tiago Pinto
Para fechar o ano!

Este será o último post do, aqui no PF10. Começo-o, então, por agradecer o convite que me foi endereçado, e na esperança de que os leitores tenham gostado daquilo (e da forma) como escrevo, garanto que tudo farei para prolongar esta participação até aos limites da disponibilidade, vontade e da paixão futebol.

Quanto ao tema que escolhi para este último post é, como sempre nesta época do ano, o onze perfeito desta, quase, primeira volta. Sempre adorei pegar na caneta e papel e desenhar um esquema preenchido pelos jogadores com que mais me identifico. Não alvejo ser o onze dos onze's, estou certo de que não será consensual, mas é o meu, com os jogadores que mais me marcaram, surpreenderam e melhor futebol jogaram. Jogarei num 4-3-3 muito ofensivo (para os encaixar a todos) que daria água pela barba a qualquer equipa.

Na baliza Quim! Como já escrevi algures por aqui, a escolha de um guarda-redes é profundamente pessoal e tem que ver com uma concepção de estabilidade e segurança que pode não ser entendida pelos outros. (A prova disso é que Ricardo continua a ser titular na selecção...) Quim tem feito um campeonato absolutamente extraordinário e só teve culpa num único golo sofrido (contra o Marítimo). Defesas espectaculares, uma segurança que se espraia pelos adeptos e uma tranquilidade que não via desde os tempos de Robert Enke. Para mim: o melhor Português e o melhor de Portugal!

O defesa direito só poderia ser José Bosingwa.Como diz um amigo meu: "o poderio físico dele é tão forte que se dá ao luxo de errar para poder correr atrás e ainda remediar o erro". Muito bom a defender, rápido como uma gazela, bons cruzamentos: um máximo! Deixo uma menção honrosa para Abel porque também é um bom lateral direito e que fez uma excelente primeira volta. Na esquerda Léo! O pequeno "maradoninha" é demais, corre que se farta, raramente o Benfica sofre golos pela sua lateral e são muitas as vezes que os golos nascem da sua participação ofensiva. Tem um sentido posicional perfeito e uma vontade de jogar futebol que mais parece um rapaz de 18 anos. Nota também para Fucille que, quando chegou parecia mais destinado a ser um flop do que a ser o grande lateral que hoje é.

No centro da defesa Katsouranis e Bruno Alves (comecei por colocar Polga e Geromel, contudo, tanto o Sporting como o Vitória sofreram muitos golos comparativamente com Porto e Benfica). Bruno Alves é inequívoco, pode não se gostar da sua impetuosidade (lembrar-me daquela entrada que fez ontem a Cleber até dá arrepios) mas tem sido um verdadeiro esteio defensivo. Katsouranis coloco-o aqui porque nunca poderia ficar de fora numa equipa minha. É um relógio suíço, nunca falha, não atrasa e não nos complica a vida. O Benfica passou as primeiras jornadas sem centrais e mesmo assim é a 2ª defesa menos batida, na minha opinião muito por culpa do fantástico jogador que Katsouranis.

O trio de meio campo seria Lucho, Moutinho e Rui Costa! Ao falar de Lucho parece que uma pessoa esgota os adjectivos a tentar caracterizar o seu futebol. Perfeito no passe, implicado na luta, participativo nas dinâmicas ofensivas e concretizador sempre que é solicitado. Moutinho é um miúdo maravilha (este sim!) que corre como ninguém, que trabalha sempre em prol da equipa, que joga onde o treinador quiser e nunca, mesmo nunca, joga mal. Para mim é aquele jogador que eu (sendo treinador) escolheria sempre como primeira opção. Rui Costa é Rui Costa. Quando muitos duvidavam do seu valor, diziam que estava velho, aí está ele a manobrar todo o jogo do Benfica. Até em Belém (onde o Benfica, simplesmente, não jogou) Rui Costa fez aberturas espectaculares. Aqueles pés parecem ter olhos, incrível!

Como extremos escolho Quaresma e Rodriguez. Este último por ter sido uma grande surpresa. O rapaz ataca e defende com a mesma vontade, tem uma técnica admirável (a bola parece nunca fugir do pé), cruza de uma forma perfeita, marca golos, é rápido, remata bem; um grande extremo esquerdo. Quaresma porque é o melhor jogador do campeonato (a seguir a Rui Costa). Há quem não goste do seu feitio, quem diga que faz sempre as mesmas fintas, mas isso é tudo dor de cotovelo. O cigano parte a loiça toda e são raros os golos dos Porto onde ele não esteja. Para além de fazer golos absolutamente fantásticos ainda está sempre nas assistências decisivas. Se há coisa que ficarei sem perceber nesta primeira volta são os assobios a Quaresma no Dragão. É por causa de mágicos como este que eu vou ao estádio.

Na frente Lisandro Lopez. O jogador argentino revelou-se um ponta de lança mortífero. De cabeça, pé direito, pé esquerdo, de qualquer maneira ele mete-a lá dentro. Mais uma aposta certeira do Porto que soube preparar e esperar pelo bom rendimento de um jovem jogador e com muito potencial. Agora colhe os frutos e, ao que parece, a este ritmo não ficará por cá muito tempo. Menção honrosa para Cardozo porque adoro a sua forma de jogar e sei que não é fácil adaptar-se rapidamente ao futebol Europeu, a um clube como o Benfica (com adeptos impacientes) e, ainda por cima, sem férias. Estou certo de que será um grande ponta de lança.

O treinador, mesmo que aqui não tenha qualquer jogador, seria Cajuda por tudo o que fez na época transacta e que tem feito esta temporada. Não acredito que o Vitória termine em 4º lugar (e mesmo em 5º...) mas que tem jogado um bom futebol ai isso tem.

Bom Natal a todos, boas entradas e muito futebol! Tiago Pinto

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BOLA NA REDE! POR TIAGO PINTO

Calma, o campeonato ainda não acabou!


Acho que é a primeira vez que utilizo este espaço para falar do campeonato português, contudo tenho que defender a honra do convento (liga portuguesa) e alimentar uma luta que parece já não existir em relação ao campeonato. O Porto leva 10 pontos de vantagem sobre o Benfica e 12 sobre o Sporting. O colectivo do Porto é, sem dúvida alguma, superior ao dos clubes da segunda circular e, na minha opinião, ainda não vi o Porto fazer um jogo perfeito. Confesso que não vejo todos os jogos dos dragões mas, basicamente, o que quero dizer é que eles ainda podem render mais. Fruto da maturidade competitiva da equipa, da experiência e qualidade individual dos jogadores o Porto tem feito "n" jogos em que faz um, dois golos e depois passeia-se pelos relvados à espera do apito final. Perguntam vocês: "então começas por dizer que o campeonato ainda não acabou e agora dizes que o Porto ainda pode dar mais? Se sem dar tudo tem 10 pontos de vantagem, imagino quando estiver a 100%..."


De uma forma simples acredito que:


- O Porto, como todas as equipas do mundo, vai ter um mau ciclo e permitir aos rivais que se aproximem;

- Sem colocar em causa a supremacia do Porto, creio que não faltaram jogos onde a sorte e os erros dos árbitros deram uma ajuda preciosa e, como tal, não acredito que essa sorte e esses erros não premeditados (repito: não premeditados) que se mantenham sempre a favor do mesmo clube;

- O Sporting vai equilibra-se internamente e vai tornar-se uma equipa mais consistente capaz de vencer vários jogos consecutivos;

- Que o Benfica vai conseguir - no novo ano - aumentar a estabilidade exibicional e fazer uma segunda volta como na época transacta.


Com isto não estou a dizer que o Porto não será campeão (honestamente, acho que é muito provável), todavia creio que não se justifica que os clubes da segunda circular deitem a toalha ao chão. Faltam 17 jogos, 51 pontos em disputa, 1530 minutos para cada um dos 3 grandes jogarem, 17 adversários diferentes, 3 resultados possíveis em cada um desses jogos para cada uma das 3 equipas. Sucintamente: "ainda a procissão vai no adro!"


Vejamos a situação da época anterior:


À 13ª jornada o Porto liderava com 34 pontos (menos 1 que este ano), o Sporting era 2º com 29 (mais 6 que este ano) e o Benfica era 3º com 26 (mais 1 que esta época). Como toda a gente sabe, a época terminou com apenas 2 pontos a separarem o 1º do 3º classificado. Da 13ª jornada em diante, o Benfica somou 41 pontos, o Sporting 39 e o Porto, apenas, 35 pontos. O que é que isto quer dizer?


1º - é muito provável que o Porto segure a vantagem tal qual a época passada;

2º - é tão provável como a primeira premissa, que o Benfica e o Sporting corram atrás do prejuízo e arranquem "grandes segundas voltas";

3º - considero uma enorme probabilidade que daqui a 2 meses tudo estará mais "apertadinho".


Marcel Proust disse um dia: "às vezes, sem o sabermos, o futuro está em nós, e as nossas palavras supostamente mentirosas descrevem uma realidade que está próxima." Aposto que no final de Fevereiro (cá estarão vocês para me julgar) o Porto será 1º mas com uma pequena distância de vantagem para o 2º classificado. O grande problema é que entraremos em Março (para as últimas 10 jornadas) com um Sporting - Benfica e, como sempre, quem vai sair a ganhar é o Porto...


Percebo perfeitamente que este é um post mais virado para Sul e colherá mais identificação aos lisboetas do que aos portuenses, todavia penso mesmo assim: o futebol é feito de ciclos e não acredito que o Porto consiga manter esta larga vantagem. Se o Hermínio Loureiro ler isto deverá pensar:


"Espero bem que este gajo tenha razão, caso contrário, no final de Fevereiro posso começar a preparar a próxima época!"


P.S: Podemos fazer deste post uma espécie de "casa de apostas"...Digam de vossa justiça e partilhem a vossa visão da coisa!


TIAGO PINTO

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BOLA NA REDE: POR TIAGO PINTO!

Em Agosto tudo eram rosas, o Sporting tinha uma equipa fantástica, havia vencido a Taça de Portugal e derrotado o Porto na Supertaça Cândido de Oliveira. Os adeptos andavam inebriados com o futebol dos seus meninos e nem a saída de Nani afectaria o futebol de classe mundial que o Sporting jogava. A juve leo que tanta pressão tinha feito para arrumarem com o Peseiro borda fora estava encantada com o trabalho de Paulo Bento e, para lá de uma equipa fantástica, tinham um treinador belíssimo.
Moutinho é admirável, Veloso é cobiçado por todos os bons clubes do mundo, Yannick vale 15 milhões de euros, Polga só não vai à selecção porque não gostam dele, Abel é – de longe – o melhor lateral direito Portguês, Tonel só não é titular na selecção nacional porque o Scolari não gosta dele, Pipi Romagnoli é um potencial Maradona, Liedson muito melhor que Eto’o, Ronaldo ou Zlatan, Vukcevic tem um pé esquerdo que faz lembrar o Rodrigo Fabri (mas este é dos bons), Izamilov não tarda nada e vai para o City por 30 milhões, etc, etc, etc…Todos os dias ouvia coisas destas!

Passaram umas semanas, um mês e pouco e tudo muda. Romagnoli é tão fraco que até leva pancada dos adeptos, Yannick é assobiado sem tocar na bola, Paulo Bento já vê lenços brancos, a equipa não vale nada, o estádio está vazio, e a juve leo deixou de cantar “uma equipa fantástica, és a nossa fé…” Mais, organizam um protesto e esperam pelos jogadores no final da partida para lhes dar uns cachaços.
Onde é que nós estamos? Que adeptos são estes? Que amor é que têm ao clube? Lembro que não há muito tempo estes pequenos entraram pelo centro de estágio adentro e exigiram falar com o presidente a propósito de uma outra crise do clube. Mas afinal quem são eles, que direitos têm, o que procuram?

De uma vez por todas ou os clubes portugueses começam a considerar a hipótese de que o que acontece em Itália e na Argentina também pode acontecer aqui (somos todos latinos) e começam a limitar o espaço de manobra a estes pequenos ou então estamos tramados.

Deixo uma palavra de apreço aos jogadores do Sporting que tiveram muita coragem em oferecer as camisolas aos adeptos que incondicionalmente apoiam a equipa e ostracizar aqueles que parecem estar ali por outros valores…Se fossem todos assim as coisas estariam melhores.

Quanto ao resto, o ridículo de sempre em Portugal: quando se ganha são bestiais, quando não se ganha são bestas…Falar mais sobre isto é chover no molhado!

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Perseguição aos árbitros!


Português que é Português tem de falar de arbitragem. Ainda por cima quando passa grande parte do dia a pensar em futebol não há forma de fugir ao tema: arbitragens tendenciosas! Confesso que é um hábito que, muitas vezes, nos leva ao ridículo e falo por experiência própria. Um gajo vai ao estádio ver o jogo, insurge-se contra o árbitro mesmo sem ver bem o lance e logo que acaba o jogo liga para os amigos ou familiares e pergunta: foi penalti? Pois, eu logo vi, aquele gajo estava feito…Na maioria das vezes, através de mensagens ou de perguntas aos companheiros de bancada que não prescindem do seu rádiozinho a questão fica logo esclarecida segundos depois de acontecer. Quando o árbitro acerta, porreiro, quando erra está o caldo entornado…


Às vezes dou comigo a pensar: eh pá, não vi o jogo do Real Madrid, não sei se eles jogaram bem, mas ao menos que tenham ganho com um golo fora de jogo ou um penalti inventado para eu poder moer a cabeça ao meu pai…É mesmo estúpido! Que tristeza, sou mesmo cromo! Com o tempo a passar por nós vamos crescendo e habituamo-nos a relativizar as coisas: por mais que errem os árbitros temos de olhar para nós, para a nossa equipa e para o que fizemos de mal em vez de andar sempre a bater nos homens. Este é o pensamento que tenho formulado nos últimos meses enquanto espero, ansiosamente, pelo desfecho do processo “apito dourado” quer nas instâncias civis, quer nas instâncias desportivas. No final das contas irei perceber se a nossa desconfiança generalizada acerca dos árbitros tem razão de ser ou se tudo não passa de uma característica cultural que nos obriga a arranjar bodes expiatórios (ou respiratórios como diria Jaime Pacheco) naqueles que não defendem as nossas cores. Como diz o ditado: “a culpa morre sempre solteira”!


Logo na época em que decidi poupar-me à análise da arbitragem é que acontecem erros em catadupa. Mas não erros normais, são erros maldosos e que ainda por cima não têm sido remendados como deveriam pelas entidades responsáveis. Isto é, depois do erro do árbitro há sempre a possibilidade de atenuar os seus efeitos através das imagens televisivas, mas mesmo com Vítor Pereira e Hermínio Loureiro a defenderem a introdução das novas tecnologias no futebol, as imagens televisivas não têm servido de nada durante a presente época.


De cor lembro-me dos seguintes casos: expulsão de Patacas em Guimarães (o homem não fez falta e nem sequer falou com o árbitro e viu vermelho directo); cotovelada de Ezequias a Nélson (no jogo do Bessa); agressão de Quaresma a Miguel Veloso ( o árbitro viu a sua nota ser reduzida por não ter expulso o jogador); agressão de Pedro Emanuel a Derlei e de Derlei a Pedro Emanuel (no mesmo jogo); agressão de Quaresma a Ruben Amorim; agressão de Liedson a Filipe Oliveira no Leixões – Sporting; cotovelada de Bynia a Wenio do Marítimo; agressão – brutal – de Tonel a João Pinto em Braga, entrada assassina de Ricardo Silva a Cardozo, etc. A sério não recorri a qualquer auxiliar de memória…É verdade que a memória é selectiva e convido os leitores a participarem porque, com toda a certeza, devem lembrar-se de outras situações similares.


Como podem ver não falo de penaltis, foras de jogo, golos precedidos de falta, nem sequer dos resultados desses jogos e das equipas que foram beneficiadas/prejudicadas. De memória elenquei alguns exemplos de situações que colocaram a integridade física dos jogadores em risco e que não mereceram a sanção correcta dos árbitros e, muito menos, do remedeio por parte das imagens televisivas. Ainda ontem mais duas situações: expulsão de Makukula em Braga (não fez falta e nem sequer abriu a boca para protestar com o árbitro e levou o 2º amarelo) e expulsão de João Ribeiro no Naval – Paços de Ferreira (por este ter ido festejar à rede do estádio). São vermelhos ridículos e sem nenhum sentido para quem joga futebol e, muito menos, para quem paga para ver futebol.


Voltando ao início da coisa, tudo isto, para dizer que talvez em Portugal existam razões para estarmos sempre a falar de arbitragem. São erros em cima de erros, faltas de respeito em cima de faltas de bom senso, ausência de profissionalismo em cima de estupidez e nós, o Zé-povinho, continuamos a pagar os bilhetes, as assinaturas da TV, os jornais…


Como diz o outro: “Talvez valha a pena pensar nisto…”


TIAGO PINTO

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BOLA NA REDE! Por Tiago Pinto



O melhor do Mundo!

Pelo que li na imprensa Brasileira Ronaldo deixou Kaká quase em estado de choque. No início deste mês o tri Bola de Ouro perguntou ao colega se já lhe haviam ligado da FIFA a confirmar o título de melhor do mundo. Kaká disse que não e que, sendo a cerimónia no dia 2 de Dezembro, ainda era cedo. O astro Brasileiro disse-lhe (fruto da sua experiência) que era normal eles ligarem um mês antes de forma a preparar as sessões fotográficas e outros pormenores logísticos. Ricardo Kaká andou numa ansiedade tremenda até que Ronaldo desfizesse a brincadeira confessando que só saberia duas semanas antes.

No domingo o Corriero delo Sport anunciou esse telefonema a Kaká. Nos próximos tempos vamos esperar pela confirmação e depois passaremos à análise da justiça do prémio. Creio não haver dúvidas que os 2 grandes concorrentes eram Kaká e Cristiano Ronaldo. Deixo já claro que a minha preferência é Cristiano Ronaldo. Todavia, nunca levantarei voz para dizer que o prémio é injusto tamanha é a minha admiração pelo jogador brasileiro.

A questão que me apraz levantar neste momento é a seguinte: não estaremos, cada vez mais, a reduzir este prémio ao melhor jogador da Liga dos Campeões?

Peguemos neste exemplo: Cristiano Ronaldo e Kaká! Na época passada o jogador português realizou 53 jogos oficiais pelo United; Kaká participou em 48 jogos oficiais pelo Milão. Enquanto CR facturou 23 golos, Kaká apontou 18! Ao serviço das selecções – e excluindo os amigáveis que ambos jogaram – CR jogou 10 jogos e marcou 5 golos sendo preponderante do apuramento Português para o Euro 2008, enquanto Ricardo Kaká apenas fez 4 jogos pelo Brasil onde apontou 3 golos nas recentes partidas para o Mundial 2010. (Não consegui encontrar dados acerca das assistências feitas por Kaká, mas não posso deixar de referir que CR fez 20…) Um ganhou a Champions e a Supertaça Europeia e outro o Campeonato Inglês e a Supertaça Inglesa. Não tenho dúvidas que os títulos de Kaká são mais importantes que os de Ronaldo e, por isso, é que o Brasileiro ganhou, e mereceu, o prémio de melhor jogador da Champions…Todavia, ser campeão Inglês não é propriamente ser campeão noutro campeonato qualquer (não sei se me faço entender...) e não nos podemos esquecer do 4º lugar do Milan em Itália.

Mais uma vez reitero que o prémio não será mal entregue, contudo as instâncias responsáveis e os votantes devem pensar e repensar o que se quer com este prémio. O que se quer premiar. Porque se deve premiar. Quais os critérios, o espaço temporal e que competições são avaliadas.

Por fim, quero deixar claro que tenho dúvidas se alguma vez C. Ronaldo vencerá este prémio. Ele é um jogador que gera, facilmente, amores e ódios e isso vê-se nos adeptos, nos treinadores, nos dirigentes, na imprensa, em todo o lado. Se em Portugal se minimizam as exibições, os 5 golos e a preponderância do mágico no apuramento Português, se nem no próprio país ele é consensual imaginem no resto do mundo por onde ele vai espalhando brasas.
Lá nisso Kaká é mais consensual!
P.S: Deco tem razões para estar furioso por não ter vencido em 2004...

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OPINIÃO: BOLA NA REDE...por Tiago Pinto













Tiago Pinto
O futebol de clubes parou (mais ou menos, porque ainda ontem se realizaram jogos da taça do Rei em Espanha) e os jogos que vão dar o apuramento a Portugal para o Euro 2008 já estão aí à porta. Já tenho o bilhete para o último jogo mas não escondo que as lesões de Miguel e Ricardo Carvalho me deixam preocupado. Contudo - como diziam os Monthy Painton - "devemos olhar sempre para o lado bom da vida" e Scolari fez muito bem em chamar Abel. Este rapaz tem feito uma grande época e é, na minha opinião, um excelente defesa direito.

Mas o assunto que me traz hoje aqui não tem que ver com a selecção nem sequer com o futebol jogado (ou terá?). Não sei se acontece convosco mas desde muito pequeno que pego nos rituais do meu pai e os levo comigo vida fora (talvez para os entregar aos meus filhos). Penso que só agora começo a tomar consciência disso mas é incrível a necessidade, quase biológica, que sinto em ouvir a Bola Branca e comprar o jornal A Bola.

Na aldeia onde cresci não existem papelarias, como tal, o meu velho, sedento da actualidade futebolística, reservava A Bola no quiosque do Sr. Fernando (na cidade mais próxima - a Régua) e sempre que podia passava lá e trazia aos 2 e 3 jornais de uma vez. Mal fui para a Régua estudar, no 5º ano, pedi ao meu pai para ser eu o carteiro desses jornais e ele, obviamente, acedeu. Não demorou muito tempo para que os jornais chegassem todos dias a casa e ele já nem precisava de ler, bastava perguntar:

- Isso hoje diz alguma coisa de jeito?
- Eh pá, hoje só tem 4 páginas do Benfica e nada de importante, mas fala aqui que o Rui Costa voltou a marcar em Itália...
- Deixa lá ver isso, então...

Agora raramente compro A Bola - felizmente existe internet - mas acreditem que ainda é um prazer enorme quando encontro uma desculpa para ter que comprar o jornal...Por outro lado, parece que a minha irmã não ficou alheada deste ritual e já vai pelo mesmo caminho!

O mesmo acontece em relação à Bola Branca. Não sei se sabem (claro que sabem) mas este é um programa de culto no futebol. Nani, aquando da sua primeira convocatória para a selecção, respondeu desta forma à pergunta "como é que soube da notícia?":
- Eu estava no balneário a ouvir a Bola Branca com o Moutinho e eles disseram que eu tinha sido convocado...

Desde muito pequeno que sei que ao meio dia e 45 se tem que fazer silêncio quer na oficina do meu pai, quer no carro. Na oficina os empregados param as máquinas e encostam-se ao velhinho rádio e no carro aumenta-se o volume, desligam-se os telemóveis e toca a ouvir a "Booola Branca".

Passaram os anos e são raras as vezes em que tenho oportunidade de partilhar esse momento na oficina de serralharia do meu pai, mas são raros os dias em que não o faço no rádio, onde quer que esteja e onde quer vá...

O futebol também é isto: rituais e tradições!

P.S: Como devem calcular não sou pago nem pela Rádio Renascença, nem pela Bíblia - desculpem, A Bola - mas já agora se o Vitor Serpa ler isto bem podia mandar-me um todos os dias...

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Bola na Rede...Por Tiago Pinto

E se fosse em Portugal?


Caros companheiros da paixão futebolística hoje quero partilhar convosco algumas questões que me têm surgido relativamente à equipa do Arsenal. Gostava, muito sinceramente, que todos vós participassem dando a vossa opinião acerca das questões que colocarei.


O mundo parece rendido à qualidade do futebol apresentado pelo Arsenal de Arsene Wenger, Ainda por cima, sendo uma equipa constituída por miúdos e, portanto, com uma margem de progressão tremenda todos os adeptos de futebol parecem loucos à procura dos jogos do Arsenal na TV. Os rapazes não deixam os seus créditos por mãos alheias e vão espalhando magia por todos os campos onde jogam. Ainda não perderam um único jogo oficial esta época, marcam golos que se fartam e contribuíram com mais uns quantos nomes para a ribalta do futebol europeu. A loucura ao redor desta equipa já vai tão longe que não falta quem considere que a saída de Henry muito benéfica para este crescimento do Arsenal. Quase como se um jogador da qualidade do Henry fosse o culpado das não vitórias dos últimos anos...


A questão essencial que vos coloco é: "algum dia consideram possível o aparecimento de uma equipa destas em Portugal?" Pergunto isto porque:


1º - esta equipa tem uma média de idades a rondar os 23 anos. Estamos a falar de um clube histórico e que luta pela melhor liga de futebol do mundo semanalmente e por todas as provas europeias em que participa. Em Portugal todos os dias ouvimos dirigentes e treinadores dizerem que os rapazes até têm talento mas precisam de rodar noutros clubes. Não faltam aí jovens promessas perdidas devido a essa necessidade de se rodar...E se Walcott, Frabregas, Flamini, Diaby e outros fossem colocados a rodar? Onde estariam hoje?


2º - Num plantel de 25 jogadores apenas 2 são ingleses. Em Portugal qualquer internacional Português que não tenha nascido em Portugal passa as passas do Algarve até conquistar o público porque não nasceu em Portugal. Imaginem só o que seria se um dos candidatos ao título em Portugal tivesse no seu plantel apenas 2 portugueses...Atenção: com isto não estou a dizer que o método do Arsenal é bom - pelo contrário - só pretendo questionar se isto seria possível em Portugal.


3º - Nesse plantel de 25, 7 jogadores são franceses, tal como o treinador. Já nem sequer questiono se seria possível um treinador manter-se num clube candidato ao título - em Portugal - estando 3 ou 4 anos sem ganhar nada, o que vos quero perguntar é: o que aconteceria a um treinador que chegasse a Portugal e que trouxesse 7 jogadores do seu país?


Efectivamente são realidades muito distintas e talvez sem comparação possível, contudo talvez sirva de alguma coisa fazer este paralelo.


De resto, devo dizer que apesar de adorar ver o Arsenal jogar à bola não creio que faça muito bem ao futebol. O Arsenal não tem formação, rouba os jogadores a clubes como o Auxerre, Cannes, Monaco ou Marselha ainda em idade adolescente. Desses 25 jogadores apenas Justin Hoyte é um produto da sua formação. O Arsenal está completamente virado para fora de portas ignorando os jogadores da casa e, particularmente, os jogadores ingleses e isso, mais cedo ou mais tarde, vai-lhes trazer problemas. Quando as coisas deixarem de correr às mil maravilhas a ligação clube - comunidade vai ser a primeira a ressentir-se.


Para já vamos delirando com o maravilhoso futebol que eles vão apresentando mas talvez esteja na hora de pensar se é isto que queremos para o futebol mundial, porque o futebol não é só dentro das 4 linhas...



P.S: Por mais que goste de os ver jogar não acredito que mantenham o ritmo durante toda a época e tenho quase a certeza de que terão enormes dificuldades em conquistar algum troféu.

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